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EDITORIAL

Corte de assessores na Câmara de Suzano é milagre entre mil lágrimas

"Quem sabe a decisão de Suzano não inspire outros vereadores, presidentes de câmaras e até prefeitos da região a enxugar os gastos e melhorar a gestão pública"

O DiárioPublicado em 29/10/2021 às 11:51Atualizado há 1 mês
Registro da Câmara de Suzano / Foto: Taís Aranha / Câmara de Suzano
Registro da Câmara de Suzano / Foto: Taís Aranha / Câmara de Suzano

Divulgado neste ano, levantamento feito pelo Tesouro Nacional posiciona o Brasil como o sétimo país que mais gasta dinheiro público na gestão das três esferas de governos municipal, estadual e federal. A comparação foi feita com 73 nações em dados referentes a 2019.

O Brasil despende 12,9% do Produto Interno Bruto (PIB) para manter as contas públicas. E como o país não consegue controlar esses gastos, os caminhos para o equilíbrio financeiro afetam a vida de tudo e todos. Esses caminhos são o aumento de imposto, endividamento ou a inflação.

Não há como manter o tamanho dessa máquina sem enfrentar velhos e conhecidos problemas: os penduricalhos, as brechas criadas legalmente para garantir gratificações e remunerações destinadas à elite do  funcionalismo público. A maior parte dos mais de 12 milhões de brasileiros que se declaram servidores públicos fica longe deste banquete, segue com baixíssimos salários como professores, policiais, segurnças, atendentes, e outros.

Essas manobras estouram mesmo na conta dos mais vulneráveis e nonos  impedimentos  ao desenvolvimento e saneamento dos graves problemas sociais do próprio país, na desigualdade salarial do funcionalismo, etc, etc, etc...

Vez ou outra, no entanto, algo muda. Um pequeno milagre ocorre aqui e ali, como se viu em Suzano, onde a Câmara cortou 19 assessores.

Cabe na decisão pela maioria dos vereadores, em sessão marcada pela simbólica rejeição de um bloco com 5 parlamentares, lembrar um trecho de Milágrimas, música do paulistano Itamar Assumpção [1949-2003]. 

Na canção, o compositor indicacomo superar uma dor, um mal de amor ou qualquer outro mal. Lá pelas tantas, vem a pérola que se alinha a um sentimento de esperança. Quem sabe a decisão de Suzano inspire outros vereadores e presidentes de câmaras do Alto Tietê e também prefeitos a enxugar os gastos públicos.

A frase é: “A cada mil lágrimas, acontece um milagre”.

Suzano tomou a decisão de cortar um assessor por gabinete e ainda manter três cargos à disposição dos parlamentares por recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e adaptar as contas aos gastos e necessidades do Legislativo. 

Não foi algo que surgiu genuína e espontaneamente  da consciência dos vereadores. 

Essa mesma receita tem sido indicada a outras casas legislativas, como a de Poá, que decidiu reduzir de 17 para 13 o número de vereadores, também porque não há condição financeira de município para bancar tal folha de pagamento. Mogi das Cruzes se vê na mesma situação, precisando equilibrar gastos com a folha de pagamento. Aqui, a decisão por redzir zir assessores foi defenestrada em setembro último.

Em Suzano, por mês, R$ 130 mil serão economizados. Em um ano, serão R$ 1,5 milhão, pouco mais do que foi gasto aa construção de um dos novos postos de saúde, que passou a atender moradores do Jardim Monte Cristo. Enfim, milagres demoram, mas ainda acontecem

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