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EDITORIAL

Comida, aluguel e o deficit de moradia

Resposta ao cadastro municipal de habitação confirma drama da cidade que vê avanço dos condomínios de classe média/alta e recuo da oferta de casas populares

O Diário
02/08/2022 às 11:30.
Atualizado em 02/08/2022 às 17:40

A maior parte dos condomínios construídos com recursos federais foi entregue até 2016 em Mogi das Cruzes (Divulgação/PMMC)

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EDITORIAL

Comida, aluguel e o deficit de moradia

Resposta ao cadastro municipal de habitação confirma drama da cidade que vê avanço dos condomínios de classe média/alta e recuo da oferta de casas populares

O Diário
02/08/2022 às 11:30.
Atualizado em 02/08/2022 às 17:40

A maior parte dos condomínios construídos com recursos federais foi entregue até 2016 em Mogi das Cruzes (Divulgação/PMMC)

Pouco menos de 72 horas após a abertura do novo cadastro municipal de habitação de Mogi das Cruzes, 11 mil pessoas já havia inscrito o nome no levantamento que deverá atualizar o deficit de moradia popular no município.

Na última década, o cidade viu crescer o lançamento de empreendimentos voltados às classes média e alta, em diversas centralidades, e o retrocesso no programa de habitação popular, uma marca da recessão, pandemia e da esquálida e danosa atuação do governo do presidente Jair Bolsonaro na demanda habitacional. 

Um sintoma da desarticulação do atendimento às famílais nas classes C, D e E é nítido, em Mogi das Cruzes, quando se acompanha o trabalho da Guarda Municipal e da fiscalização para inibir o crescimento das ocupações irregulares. Diariamente, desde gestões passadas, há flagrantes de famílias e pessoas - muitas delas, mal intencionadas, de tentativas de invasão de terras.

A ocupação da Vila São Francisco, há mais de um ano, é peça estratégica nessa análise porque escapa de um comportamento mais comum,  quando grupos menores chegavam quase todos os dias para demarcar imóveis desocupados em regiões como Jundiapeba e os bairros localizados na divisa ou região rural.

Embora a pandemia tenha acelerado a perda de renda das famílias mais pobres, a redução do poder de compra e de sobrevivência é um processo iniciado há mais tempo. Entre levar a comida para o prato do filho, pagar aluguel ou tentar conseguir um lugar onde morar, por um custo menor, essa terceira opção é a alternativa de muitos.

O cadastro municipal de habitação pretende atender os moradores que já possuem endereço na cidade. Ele terá a missão de chegar a um número mais perto da realidade sobre a falta de moradia popular na cidade.

O levantamento servirá para apontar quantas famílias ou pessoas sozinhas (idosos, víúvos, solteiros) buscam a casa própria, por meio de um financiamento com valores que se encaixem o bolso desses cidadãos.

Colocar esse cadastro à disposição das pessoas não muda o quadro da habitação - porque não há novos conjuntos sendo construídos em Mogi. Porém, pode auxiliar na elaboração de políticas de moradia e na atração de programas que possam vir a atender essa parcela da população.

Com o nome Mogi Meu Lar, o programa é um fato interessante em uma área tão precarizada não apenas em Mogi das Cruzes, mas em todo o país.

Após o boom de novos empreendimentos do antigo projeto Minha Casa, Minha Vida, esse filão de atendimento social aos mais pobres praticamente acabou. Quando houver uma mudança nesse eixo, a cidade terá condições de lutar para atender quem mais precisa de ajuda para sair do aluguel e dormir debaixo de um teto digno.

É interessante a participação do cidadão no cadastro para o município dispor de números pouco mais reais. Há de se dizer que a a migração entre moradores de baixa renda na região metropolitana de São Paulo é constante, o que muda o perfil desse deficit nesta mesma velocidade.

Outro ponto favorável será a possibilidade de atualização ininterrupta da plataforma online que não será encerrada, segundo informa o governo do prefeito Caio Cunha.

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