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EDITORIAL

BO e as polícias unificadas

Cidades paulistas começam a centralizar a elaboração do Boletim de Ocorrência, com complementação dos dados levantados por policiais militares e civis

O Diário
09/06/2022 às 07:14.
Atualizado em 09/06/2022 às 07:25

O secretário João Camilo Pires de Campos esteve em Mogi na terça-feira para lançar o projeto (Silvia Chimello)

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EDITORIAL

BO e as polícias unificadas

Cidades paulistas começam a centralizar a elaboração do Boletim de Ocorrência, com complementação dos dados levantados por policiais militares e civis

O Diário
09/06/2022 às 07:14.
Atualizado em 09/06/2022 às 07:25

O secretário João Camilo Pires de Campos esteve em Mogi na terça-feira para lançar o projeto (Silvia Chimello)

Há muitos e muitos anos apontado como caminho para a redução de custos, horas trabalhadas e para melhorar a velocidade e a qualidade do atendimento ao público, a unificação do Boletim de Ocorrência (BO) começa a sair do papel para a realidade com objetivo de romper barreiras históricas no relacionamento entre as polícias civil e militar e garantir agilidade nos registros dos crimes.

Embora seja peça desse período de campanha eleitoral, com o lançamento do BO Unificado sendo levado a cidades-polo das regiões Metropolitana e do Interior de São Paulo agora, às vésperas da eleição para governador, o projeto deverá contribuir, no futuro, para uma melhor distribuição dos recursos materiais e humanos das forças e investimentos em segurança pública.

O combate ao retrabalho foi o principal foco usado pelo secretário de Estado da Segurança Pública, o general João Camilo Pires de Campos, para defender os benefícios que o sistema trará, no dia a dia do serviço público, durante o lançamento da novidade nesta terça-feira (7), em Mogi das Cruzes.

Ao invés de já se instalar o novo serviço de uma só vez, em todas as cidades, o processo a conta-gotas desligitima, porém, não a ponto de comprometer algo que poderá atacar aquilo que a segurança pública tem como um dos maiores desafios: a confiança da população até mesmo na hora de registrar uma violência sofrida. Muitas pessoas deixam de registrar os BOs em resposta à demora enfrentada em delegacias e a outros fatores como a burocracia, a lentidão da justiça e a própria impunidade.

O vazio de dados tem efeitos corrosivos na elaboração de políticas públicas e na sensação de segurança de uma comunidade. 

Tudo o que facilitar o acesso da vítima a uma autoridade é bem-vindo. Mesmo o registro eletrônico, já disponível há algum tempo, ainda não se popularizou como se previa. A ideia, aliás, de que todos estão conectados à internet e suas facilidades não se confirma como realidade para uma boa parte da população brasileira. 

A partir do próximo dia 20, os policiais militares e civis de Mogi das Cruzes, promete o governo do Estado, começarão a testar um sistema que, na prática, assim funcionará: um policial militar, ao atender uma ocorrência, vai abrir o BO que deixará de exigir, da vítima, o registro eletrônico do fato ou a ida à delegacia - nos casos em que não houver flagrante, por exemplo. Dados suplementares poderão ser acrescidos no decorrer da apuração pela Polícia Civil.

O general Camilo afirma que o BO Unificado, resulta de um investimento de R$ 60 milhões do governo do Estado e promoverá a integração das polícias, além de dar celeridade na avaliação dos crimes e também na posterior instauração de inquéritos.

Claro que esses objetivos todos não serão sentidos imediatamente após o aparelhamento dos policiais militares que estiverem nas ruas. Aliás, o próprio general já adverte que a qualidade da internet será fator decisivo para que o programa entregue os objetivos previstos. Quando não houver acesso à rede de computadores, tudo será como antes com o primeiro registro da PM que, após isso, levará as partes para um distrito policial. Por isso, o projeto já nasce, um pouco alquebrado.

Outras cidades do Alto Tietê, segundo o secretário, já estão em processo de adaptação do sistema.

Não se espera maravilhas nos primeiros meses. Porém, a projeção pela otimização e, tão grandioso quanto isso, o diálogo afinado entre os policiais civis e militares que estão nas ruas e delegacias, tende mesmo a propiciar a colocação de mais agentes no policiamento preventivo e ostensivo nos bairros, nas cidades todas.

Isso, no entanto, será no futuro. Hoje, o drama de quem precisa registrar um BO ainda é complexo e marcado pela espera por um delegado durante horas (quando duas ou mais demandas ocorrem ao mesmo tempo) e por equipes de policiais militares enredados durante horas em apenas uma ocorrência.

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