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EDITORIAL

"Bandeira" perde até a cor

"Economizar no chuveiro é o pedido do ministro. O problema é que a economia já é palavra de ordem a quem tem dificuldades para comer, morar, sobreviver"

O DiárioPublicado em 06/09/2021 às 17:07Atualizado há 15 dias
Preço da conta de luz irá subir / Foto: reprodução / Freepik
Preço da conta de luz irá subir / Foto: reprodução / Freepik

Além da inflação, desemprego e o litro da gasolina nas alturas,  uma outra marca desastrosa do governo Jair Bolsonaro será o preço da energia elétrica. 

A estiagem e a incapacidade de geração de energia mais barata, independentemente das condições clímáticas, vão manter o preço mais alto até abril de 2022.  

Há poucos dias, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, anunciou a Bandeira de Escassez da Crise Hídrica, que superou a Bandeira Vermelha, adotada em junho. 

Até a cor perdeu a rotulagem do sistema que eleva a conta de luz. O valor da tarifa subiu de R$ 9,49 para R$ 14,20  a cada 100 kw/h consumidos.

Esse tipo de anúncio costuma ser diluído junto à opinião público até a chegada da nova fatura. Mas, essa crise energética ocorre em hora ingrata quando a inflação corrói a renda do trabalhador.

Projeções feitas nos últimos meses, quando a situação do sistema nacional já vislumbrava o caso, dava conta de que, em novembro, o preço poderia ser até R$325 mais caro para famílias com até quatro pessoas. Economizar no chuveiro  é o pedido do ministro. Em que país ele vive? O problema é que a economia já é palavra de ordem de quem tem dificuldades para comer, morar, sobreviver.

É nesse emaranhado que começa um drama já presente no noticiário - inclusive, no nosso jornal. Famílias, por falta de dinheiro, começam a acender fogões e fogueiras com madeira para fazer a comida e esquentar a água para o banho. Entre os resultados, estão acidentes com queimaduras. Mais famílias estão se valendo dessa saída.

Não apenas nos próximos meses, campanhas públicas são mais do que necessárias para prevenir acidentes fatais, como o que ocorreu com um aposentado no Jardim Nova União há alguns dias, que faleceu após um incêndio provocado por esse tipo de arranjo caseiro para um drama social tão agudo: a falta de dinheiro para a comida, o banho, a vida digna.

Além de orientar essas pessoas, se faz urgente adaptar as casas dos mais pobres de soluções energéticas, como a solar, para abaixar a conta de luz e promover o equidade social. 

Esperar do (des)governo Bolsonaro, esquece. Esse poderia ser um compromisso dos municípios que, no fundo, é que está mais perto dos cidadãos e suas dores.

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