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EDITORIAL

Além do ‘sentir-se inseguro’

Policiais fazem o que conseguem fazer com recursos finitos nas corporações, o estado dá argumentos insustentáveis e a sociedade paga alto preço financeiro, emocional e social

O Diário
28/05/2022 às 07:55.
Atualizado em 28/05/2022 às 07:55

Homens armados invadiram casa na Vila Oliveira (Reprodução)

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EDITORIAL

Além do ‘sentir-se inseguro’

Policiais fazem o que conseguem fazer com recursos finitos nas corporações, o estado dá argumentos insustentáveis e a sociedade paga alto preço financeiro, emocional e social

O Diário
28/05/2022 às 07:55.
Atualizado em 28/05/2022 às 07:55

Homens armados invadiram casa na Vila Oliveira (Reprodução)

Na Vila Oliveira, a vizinha, avó, teve os netos na mira de ladrões. O carro foi levado, a intimidade da família quebrada. O carro foi achado. Mas, como apagar da lembrança o medo e o terror de ver os seus mais caros na mira de assaltantes? O sujeito dessa frase poderia viver em qualquer bairro.

No centro, comerciantes não sabem o que vão encontrar no dia seguinte, quando voltam para trabalhar. Os produtos estarão lá? A porta, quebrada? Haverá alguém, ali dentro, esperando para roubar algo mais?

A caminho da escola, um estudante é agredido por dois homens, que parecem ser jovens, em frente de câmeras ligadas, como se nada e ninguém detivessem o crime.

É muito frágil o argumento de que os números de BOs nesses pontos recuam e, por isso, impera mais uma “sensação de insegurança” do que a insegurança. 

É muito mais complexo do que se apresenta a criminalidade que volta acolocar as mangas, truculências e armas para fora  - após um período excepcional criado pela pandemia e seus reflexos na vida das pessoas e cidades.

O banditismo não acabou, nem  políticas de segurança pública mudaram, mesmo com a propaganda feita para o eleitor assistir. 
A violência urbana é doença crônica - com policiais fazendo o que conseguem fazer com recursos finitos e ganhando mal, o estado tentando explicar fatos com argumentos vazios e erros no enfrentamento dos crimes com altíssimo preço financeiro, social e emocional pago por toda a sociedade.
Não há resposta para hoje. Mas, o que se prova como realidade é sabido - facilidade e ocasião favorecem o ladrão. Insistimos, a segurança pública chega ao ponto que chegou - com avós recebendo os bandidos pela porta da frente, e policiais invertendo papéis, e matando a esmo - por motivos históricos e já provados inglórios com a transformação do crime organizado em um grande negócio financeiro e de mortes, com a substituição de pessoas aliciadas na roda de entrada e saída dos presídios até encontrarem um fim banal.

Uma cidade, apenas, não consegue mudar esse intrincado e fracassado modelo. Porém, isso não significa que ações não existam para, ao menos, conter a escalada de furtos confirmada na semana que passou na pesquisa mensal da Secretaria de Estado da Segurança Pública. 
Melhorar o monitoramento por câmeras (o que já se flagrou, em Mogi, não anda bem) e o policiamento preventivo e ostensivo dependem do estado que tem o dever constitucional de garantir a segurança e a paz ao cidadão.

Isso dá resultado contra a impunidade e a sensação de presença do estado na defesa do cidadão. Também nesta semana, em poucas horas, uma operação policial flagrou irregularidades. Uma multa a cada dois minutos foi aplicada no Alto Tietê. Ah, mas são alguns motoristas que desrespeitam a lei. A impunidade assim se articula, primeiro, nas pequenas violações à lei.

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