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EDITORIAL

A volta às aulas em Mogi e o Muve

O Muve fará sentido se não cair na sina dos demais que existem mais figurativa do que realisticamente. A ocupação dos museus seria regra vital para a educação

O DiárioPublicado em 09/09/2021 às 06:35Atualizado há 19 dias
Divulgação - PMMC
Divulgação - PMMC

O retorno de 100% dos alunos à sala de aula, mas ainda com a oferta do ensino remoto, e a primeira visita de estudantes da escola Coronel Almeida ao Museu Virtual da Educação de Mogi das Cruzes, o Muve, coincidiram, ontem, com o Dia Mundial da Alfabetização.

A pandemia tornou brutalmente desafiador o resgate e atenção à educação.

Em 2018, uma pesquisa do Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a Organização Açao Educativa, revelou que três em cada 10 brasileiros enfrentam os reflexos negativos do analfabetismo funcional surgido do fracasso e do desmonte das políticas educacionais. Um terço dos brasileiros têm dificuldades em ler e interpretar textos, e também na hora de aplicar os conceitos elementares de matemática.

Sem essa base, por mais que o índice de analfabetismo registre queda - está em 6,6% em todo o País -, o futuro de uma grande parcela das pessoas é manter intacto o ciclo de pobreza ou miséria dos pais e avós.

Sem a base educacional, o destino reservado aos mais novos é o subemprego ou o desemprego medido hoje, inclusive, pela parcela de desalentados, milhares de jovens e adultos que desistiram de procurar um emprego - e, esse, é fenômeno anterior à pandemia para o qual ainda não se desenha mudança no horizonte próximo.

A volta às aulas requer um esforço conjunto da sociedade, dos pais, educadores e alunos. Embora os índices da infecção pelo coronavírus sigam em marcha descrescente, variantes como a Delta não dão margem a ilusões. Teremos de conviver com o rigor sanitário e a consciência coletiva para atravessar os riscos e a insegurança de uma pandemia.

A nossa geração será guiada por essa contingência. A presença dos primeiros estudantes no Muve, um equipamento criado dentro de um conceito de cidade que zela pelo patrimônio, cultura e, sobretudo, por uma educação mais próxima da realidade do aluno que não pode mais viver encarcerado dentro de uma sala de aula, compõe certa inflexão benfazeja a ser conferida no futuro. 

Esse museu fará sentido se não cair na sina dos demais que existem mais figurativa do que realisticamente. Aliás, a partir do Muve e dos planos para a Pinacoteca, que deverá ser reaberta em breve, dentro do atual microclima da pandemia, a ocupação desses locais por estudantes de todos os níveis seria regra vital para melhorar o nível de aprendizado mogiano, bem usar o dinheiro público e valorizar a educação. .

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