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EDITORIAL

A pandemia não acabou

"A equipe do prefeito Caio Cunha considerou que ainda é cedo para abolir a máscara em áreas externas, assim como decidiu não realizar o Carnaval"

O Diário Publicado em 26/11/2021 às 14:21Atualizado há 2 meses
Uso de máscara segue sendo obrigatório em Mogi  / Eisner Soares
Uso de máscara segue sendo obrigatório em Mogi / Eisner Soares

Enquanto o prefeito Caio Cunha, do Podemos, tomava a decisão de não flexibilizar o uso da máscara facial até a primeira quinzena de janeiro, as agências internacionais de notícias traziam em destaque, entre a noite de quarta-feira e a quinta-feira (25), as primeiras reações preocupantes à descoberta da variante do coronavírus B.1.1.529, assim identificada inicialmente por cientistas da África do Sul.

Durante uma pandemia, a tranquilidade com a baixa de casos persiste apenas enquanto a ciência busca descobrir e entender os meios que o vírus se utiliza para ganhar a luta pela vida e se multiplicar no meio ambiente.

A nova variante do SARS CoV  2, o coronavírus responsável por provocar a Covid-19, uma infecção respiratória gravíssima e que redirecionou o mundo, deixa em alerta os governos por uma estatística muito pesada: no início de novembro, a África do Sul registrava 100 casos novos identificados por dia. Na última quarta-feira (24), esse número subiu para 1,2 mil, e na quinta (25), para 2.465. Há de se considerar, no entanto, que a imunização lá atinge 35% da população e os estudos sobre a variante são novos.

No Brasil, a Covid continua matando. O País já perdeu mais de 612 mil vidas - é o nono do mundo em mortes por habitantes, o segundo em número absoluto. 

A pandemia repete ciclos. Agora, a disseminação do vírus em países que iniciaram a vacinação mais cedo e/ou têm baixa cobertura vacinal força o retorno à quarentena e o fechamento de fronteiras.

Ao anunciar a flexibilização do uso da máscara em áreas externas, o governador João Doria baseou-se no controle das taxas de contágio e fixou a data, 11 de dezembro, antes do período de final de ano, quando as pessoas circulam mais.

A equipe do prefeito Caio Cunha considerou a data arriscada, assim como decidiu não realizar o Carnaval.

Há razão para isso, no dia a dia, o uso da máscara em ruas e locais abertos foi abolido por muitas pessoas. É um erro, na visão de especialistas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que apesar de a vacina auxiliar - e muito - no combate ao vírus, ela não é fator determinante para domar essa pandemia. A vacinação é uma forte aliada, mas o que ainda está valendo para proteger a si e ao outro são medidas como o uso correto da proteção facial, lavar as mãos, evitar aglomerações e manter ventilados os ambientes fechados. 

O complexo dessa operação sanitária é: na prática, as leis da pandemia foram pouco fiscalizadas pelos governos, a desinformação imperou.

Outras cidades seguem o que Mogi decidiu como norte para as próximas semanas. Este jornal considera apropriada essa medida, especialmente porque a realidade das ruas mostra que parte da população, a despeito da regra, já não usa a máscara. Chancelar, com decreto, o fim do uso da máscara, é flertar com mais perdas e dores.

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