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EDITORIAL

A morte do menino João Victor

A demora na transferência de pacientes entre UPAs e o Hospital Luzia é prejudicial. Que a morte de João Victor não seja mera estatística

O Diário
18/10/2022 às 14:40.
Atualizado em 18/10/2022 às 18:44

João Victor Delfino Laurentino passou 16 dias internado, mas não resistiu ao envenenamento (Reprodução/Redes Sociais)

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EDITORIAL

A morte do menino João Victor

A demora na transferência de pacientes entre UPAs e o Hospital Luzia é prejudicial. Que a morte de João Victor não seja mera estatística

O Diário
18/10/2022 às 14:40.
Atualizado em 18/10/2022 às 18:44

João Victor Delfino Laurentino passou 16 dias internado, mas não resistiu ao envenenamento (Reprodução/Redes Sociais)

Há de se cobrar investigações e as responsabilidades dos entes envolvidos na gestão da saúde pública em Mogi das Cruzes após a morte do menino João Victor Delfino Gabriel, de 11 anos, vítima de uma picada de cobra.

Segundo a família, ao ser levado para a UPA do Rodeio após o acidente, houve demora entre os primeiros atendimentos, o pedido por uma vaga na Cros, central que regula a ocupação de leitos hospitalres, a autorização para isso, a chegada da ambulância e o transporte para o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, no Mogilar.

A mãe, durante o período de cerca de três horas, viu o filho piorar as condições de saúde, mesmo após receber os primeiros-socorros. Em resumo: o garoto permaneceu 11 dias internado, a partir do dia 6 de outubro, e faleceu no início desta semana.

Seria muito importante a polícia, o Ministério Público, a Justiça apurarem o que aconteceu nesse registro.

Por mais que, a partir desse caso, a Secretaria Municipal de Saúde tenha anunciado que haverá prioridade nos casos de pacientes picados por animais peçonentos, a morte desta criança confirma o que esse jornal e algumas vozes têm alertado e se desesperado desde as mudanças no protocolo de ingresso de pacientes no PS do Hospital Luzia de Pinho Melo, que passou a exigir, em fevereiro do ano passado, que o primeiro atendimento seja encaminhado pela população para as UPAs.

Essa medida coloca em risco a vida dos pacientes em situação gravíssima e ainda impõe ao acompanhante ou familiares uma situação desesperadora. Como saber se o tempo gasto até a chegada à UPA, o encontro de uma vaga em um hospital, a remoção, enfim, será suficiente para reduzir sequelas de um acidente como uma picada de cobra?

O Hospital Luzia de Pinho Melo é a referência para os casos de picada de cobra. Nesse tipo de caso, a orientação, segundo o secretário de Saúde, Zeno Morrone Júnior, afirma que uma ambulância - por meio do Samu, deve ser chamada para a transferência para o hospital.

Medida acertada, mas que precisa ser amplamente divulgada, bem como outras informações a famílias e aos servidores da saúde, para que casos assim, tenham prioridade.

Em outra via, as autoridades mogianas, o prefeito Caio Cunha, vereadores, deputados e promotores públicos, entidades como a OAB e associações médicas demoram a cobrarem e buscar soluções para a falta e a espera demorada por um leito e darem.

A gestão da saúde pública e da cidade pecam - e muito, ao não responderem demandas básicas da população.

A falta de leitos tem sido denunciada e revelada por diferentes atores, como a Santa Casa de Misericórdia e a própria Secretaria Municipal de Saúde. 

Há uma acomodação e silêncio aterrador, insensível e irresponsável sobre uma situação que pode, sim, elevar taxas de mortalidade, prolongar os períodos de internação por falta de tratamentos adequados.

Que a morte de João Victor não pode seja mera estatística. É preciso saber se foi um diferencial para combater o envenenamento a demora na transferência entre o Rodeio e o Hospital Luzia, que estão a apenas três quilômetros de distância entre si, coisa de 6 a 7 minutos.

E mais: se o Luzia é referência para a aplicação do soro antiofidíco em Mogi das Cruzes - e os acidentes com cobras venenosas podem acontecer a qualquer momento em cidades com as características ambientais do Alto Tietê -, o acesso ao médico, ao tratamento,  precisa ser outro, mais rápido, com menos burocracia e um protocolo de conhecimento de todos - médicos, socorristas e os moradores da cidade.

  

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