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OPINIÃO

A distância entre o lago do Pq. Morumbi e os rios 100% limpos

Flagrante de peixes mortos em lago do Parque Morumbi serviu para atualizar a agenda ambiental que prevê a despoluição de toda a bacia do rio Tietê em Mogi: desafio é saber quando isso acontecerá

O Diário
28/06/2022 às 10:39.
Atualizado em 28/06/2022 às 19:04

Peixes mortos flagrados na semana passada no bonito, mas sujo e malcheiroso lago do Parque Morumbi, reconduziram ao noticiário tema ambiental caro para Mogi das Cruzes: a poluição dos cursos d'água da cidade que cresce de maneira veloz, sem conseguir tratar todo o esgoto doméstico. As primeiras respostas da Prefeitura de Mogi das Cruzes sobre os planos para salvar esse manancial formado pelas águas de três nascentes da poluição, sintonizam a morosidade do processo iniciado com as primeiras ações tomadas pelo município, entre as décadas de 1970 e 1980, com a construção do coletor-tronco que deveria levar todo o esgoto da região central de Mogi das Cruzes para a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de Suzano.

Passados 40, 50 anos, a maior parte dos dejetos residenciais da região central da cidade ainda não foi conectada a esse duto - durante muitos anos, quase nada se fez nesse sentido e, mais recentemente, com o adensamento e o saneamento  obras no distrito de Jundiapeba, um pouco mais desse sistema começou a ser usado para livrar os córregos e rios da cidade da carga diária desse tipo de poluição.

Obra que fica debaixo da terra e alimenta quase nenhum capital político a candidatos e gestores como prefeito e vereadores, a coleta e o tratamento do esgoto não acompanharam o mesmo ritmo que acontece com a água em Mogi das Cruzes, pecado cometido pela maioria das cidades e capitais brasileiras.

Na cidade, começa nos anos 2000 alguma mudança nos índices de tratamento  que começaram a sair praticamente do zero - taxas, inclusive, alvo de questionamentos pela dificuldade que se tem em medir quanto do esgoto está mesmo ligado à rede e quanto ainda permanece sendo levado para fossas e ligações clandestinas.

O município construiu a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de César de Souza que trata, segundo dado oficial, 260 litros de dejetos por segundo e, daqui a três anos, chegará a 460 litros/segundo, tempo previsto para a execução da etapa de ampliada iniciada em março passado com os recursos financeiros do programa Viva Mogi.

De concreto, para atender falhas gritantes, como a morte da vida aquática e o afugentamento de espécies silvestres no lago do Parque Morumbi, a cidade tem uma licitação já concluída, mas não possui previsão para tocar a obra: falta chegar o recurso financeiro prometido pelo governo federal, de acordo com o Semae.

Desde 2012, quando a pressão popular passou a abordar a poluição do lago, até agora, a gestão pública fez apenas a instalação da canalização, mas ainda depende do governo federal para interligar o sistema e fazer a coleta dos esgotos no bairro. E, um detalhe que ainda ficará para o projeto: ainda não há um projeto para a despoluição do lago - acredita-se, claro, que a coleta do esgoto irá blindar de novas cargas, mas, esse passivo, ainda terá de ser enfrentado.

Enquanto o tempo vai passando, denúncias são aceitas como legítimas por órgãos competentes (Cetesb, Ministério Público), mas a indisponibilidade de recursos financeiros e argumentos outros estruturados pelo poder público postergam a limpeza dos cursos d'água da bacia do Rio Tietê.

A meta do Ministério Público é cobrar 100% dos rios e córregos limpos. Quando se olha para o início dessa saga, com o primeiro coletor-tronco dedicado ao tratamento dos esgotos, é obrigado saber que isso levar um tempo difícil de ser calculado. 

O sufocamento da fauna e da flora nos rios e córregos, no entanto, será cada mais visível - o que pode ser um aliado da sociedade na pressão e  na busca de saídas para abreviar esse tempo de espera. Zelo e atenção na aprovação de loteamentos e construções em locais sem essa infraestrutura deveriam ser condição sine qua non para os tauais e futuros gestores de Mogi das Cruzes. O exemplo do Parque Morumbi não poderia ser mais pedagógico, nesse sentido.

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