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EDITORIAL

A desorganização do Enem

O Enem serviu para vitalizar a desilusão com o ensino no Brasil. Culpa do governo, sem dúvida, mas também da desarticulação da sociedade civil organizada

O DIário
19/01/2021 às 17:22.
Atualizado em 20/01/2021 às 08:21
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EDITORIAL

A desorganização do Enem

O Enem serviu para vitalizar a desilusão com o ensino no Brasil. Culpa do governo, sem dúvida, mas também da desarticulação da sociedade civil organizada

O DIário
19/01/2021 às 17:22.
Atualizado em 20/01/2021 às 08:21

São gravíssimas as falhas ocorridas na primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, em Mogi das Cruzes. Não há justificativa para a desorganização que excluiu  uma parte dos candidatos impedidos de fazer a prova. Sobretudo, quando se descobre que mais da metade dos inscritos faltou – ou seja, se todos os jovens tivessem saído de casa para fazer o Exame Nacional, o caos seria ainda mais estarrecedor.

Pior e mais revoltante de tudo é ouvir o ministro da Educação, Miton Ribeiro, dizer que o Enem foi um sucesso. Isso não é verdade. Como foi um sucesso, se até ontem, candidatos barrados não conseguiam informações sobre como serão avaliados?

Além disso, houve problemas pontuais, na contenção de riscos ao contágio pelo coronavírus. Uso da máscara, por exemplo, era obrigação dos alunos. Mas foram flagradas aglomerações e a ausência de condições de se cumprir os protocolos sanitários, de fiscalização. Tudo isso tem uma razão: a falta de comando e de planejamento do Ministério da Educação.
Ainda que uma parte dos alunos tivesse a opção de fazer a prova online, a avaliação presencial foi admitida. Não poderiam ter ocorrido tantas irregularidades. Nenhum processo da estatura de um Enem, com a participação de milhões de estudantes e aplicadores da prova, está isento de desajustes pontuais. Mas, não foi esse o caso.

Tivemos alunos que se preparam e foram praticamente expulsos dos locais de prova por falta de logística mínima – não se sabia quantos alunos iam fazer a prova em tais endereços?  

O Enem 2021 foi mais um exemplo da incúria, ineficiência e irresponsabilidade do governo federal. Em meio à alta dos casos de Covid-19, reunir essa multidão sem os cuidados recomendados é um crime contra a saúde pública. Mais ainda, um descaso com a juventude.
Tomara que neste domingo (24), quando termina a prova, esses erros sejam corridos.

Mais uma vez, o Enem serviu para vitalizar a desilusão com o ensino brasileiro. Culpa do governo, mas também da desarticulação da sociedade civil organizada. 

 Aceitar o que fizeram com esses brasileitos que estudaram em um ano tão atípico para ter uma oportunidade de acesso à faculdade - e, estava ali, quem realmente se compromete com o próprio futuro, é algo muito preocupante. E que a pandemia não sirva de desculpa. E muito menos a imprensa.

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