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ARTIGO

Txai Suruí e o turista brasileiro

"A COP26 com a relevância que tem acabou expondo o descaso do Governo brasileiro com o assunto"

Laete SilvaPublicado em 05/11/2021 às 16:44Atualizado há 24 dias

O mundo observa a COP26, conferência das Nações Unidas que discute ações de combate às mudanças climáticas e ao aquecimento global decorrente das atividades humanas. Segue até o próximo dia 12 em Glasgow, na Escócia. Sua abertura contou com líderes mundiais, presidentes e autoridades dos países signatários da convenção da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a mudança do clima. O encontro anual tem sua relevância ao tratar dos efeitos negativos das atividades dos países poluentes e que favorecem o aquecimento global por emissão de gases que potencializam o efeito estufa.

É assunto importante se considerarmos o impacto do aquecimento na vida das pessoas por todos os cantos do planeta e as catástrofes como reflexo das políticas energéticas, industrialização, desmatamento e queimadas. 

É tema para especialistas e salienta a importância da consciência com educação climática para se pensar criticamente em soluções efetivas, que sabemos demorarão muitos anos, se saírem do discurso obviamente, principalmente por parte dos grandes países industrializados que precisam abrir mão da disputa capitalista.

Contudo, a COP26 com a relevância que tem acabou expondo o descaso do Governo brasileiro com o assunto, ou seja, nosso país já tão desgastado com a questão ambiental e a ausência de um discurso oficial afinado com a consciência mundial de preservação, não enviou uma autoridade de peso para o evento.  Enquanto presidentes de várias nações compareceram, o Brasil ficou de fora do circuito, enviando vídeo do presidente Jair Bolsonaro, o qual preferiu ao tempo em que a COP26 se instalou, fazer viagem à Itália. Nem o Ministro do Meio Ambiente esteve presente.

Para alento, Txai Suruí, uma ativista indígena brasileira, representando a população indígena do Brasil e outras organizações, apresentou-se e discursou, não só pela consciência da conservação, mas também pedindo atos efetivos e participação dos povos nativos na toma de decisões.  

As relações internacionais importam naquilo que conferem credibilidade a uma nação, e o melhor trato com as questões ambientais favorecem as relações comerciais, porém, o Presidente Bolsonaro preferiu passear na Itália, de onde manifestações contra sua presença e agressão a jornalistas surgiram.  A falta de conexão do Presidente com o momento acabou virando piada na TV americana, ao confundir o ator Jim Carrey com o enviado especial americano a Glasgow, John Kerry.

Enfim, o Brasil sofre com a falta de percepção de sua diplomacia em distinguir protagonismo de turismo. 

Laerte Silva é advogado  

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