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Tudo sempre igual

'Mais uma vez, esbarramos na falta de planejamento, estrutura e investimento para estimular a implantação de matrizes energéticas alternativas'

José Francisco Caseiro
22/01/2022 às 07:42.
Atualizado em 22/01/2022 às 07:42

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Tudo sempre igual

'Mais uma vez, esbarramos na falta de planejamento, estrutura e investimento para estimular a implantação de matrizes energéticas alternativas'

José Francisco Caseiro
22/01/2022 às 07:42.
Atualizado em 22/01/2022 às 07:42

A estação do Verão é conhecida pelos temporais que trazem devastação e prejuízos por onde passam. Os estados de Minas Gerais e Bahia sofrem desde dezembro com os impactos das fortes chuvas que atingiram dezenas de cidades. Nos últimos dias o aguaceiro chegou aos municípios de São Paulo, incluindo nossa Região. A indústria não fica de fora dos impactos gerados pelas tempestades. Mas se em alguns pontos há água demais, em outros é a falta dela que acende o sinal de alerta.

A Federação das Indústrias de Minas Gerais, por exemplo, estima que as chuvas geraram um prejuízo de R$ 90 milhões por dia para economia mineira, dos quais R$ 41 milhões apenas para o setor industrial. 

Este levantamento é um retrato do que o setor enfrenta a cada início de ano. Sabemos que de dezembro a março é a temporada de chuvas fortes. O que era para ser um fato para ser levado em consideração na hora de elaborar políticas públicas e programas para evitar prejuízos e até mesmo, perda de vidas, não é aplicado na prática. Infelizmente, o cenário de destruição é registrado anualmente, o que muda é só o endereço.

De forma resumida, os temporais geram uma desordem na cadeia de suprimentos da indústria, causando impactos negativos que se somam ao difícil processo de retomada econômica, já fragilizado pela pandemia de Covid-19.
Além dos prejuízos visíveis, como o alagamento de prédios e a destruição de máquinas, há consequências que não são tão aparentes, como é o caso da interdição e bloqueio de rodovias, que atrasam o transporte de mercadorias e insumos, gerando aumento no custo da produção e em alguns casos, até mesmo a perda de produtos, quando se trata de itens perecíveis. 

Fora isso, temos os trabalhadores da indústria quemuitas vezes, em decorrência de bloqueios nas estradas, acabam ficando sem acesso para o trabalho. A situação resulta em falta de mão de obra, pagamento de horas extras e remanejamento de pessoal de outros setores.

Outro problema crônico que aparece junto com os aguaceiros é a imobilidade, a demora em agir e a falta de estrutura das cidades, estados e governo federal em lidar com os problemas. A lentidão em encontrar alternativas permanentes aumenta a sensação de insegurança e frustram investimentos por parte das empresas em várias partes do país.
Ainda no rastro deixado pelas chuvas, qualquer uma que seja mais forte, deixa árvores caídas, muitas vezes fechando acessos e interrompendo o fornecimento de energia para as indústrias, o que pode gerar a parada da produção e até a pane de máquinas. 

Energia elétrica essa que demora para ser reestabelecida e que com um raio mais intenso já cai, o que demonstra a fragilidade do sistema elétrico, situação que não deveríamos enfrentar, pois pagamos caro por ela.

Aí entramos em outro ponto sensível: a maior parte da energia vem das hidrelétricas. Antes dessa chuvarada, a seca registrada em vários estados impactou na capacidade dos reservatórios e promoveu o aumento sem precedentes no valor da conta. Mais uma vez, esbarramos na falta de planejamento, estrutura e investimento para estimular a implantação de matrizes energéticas alternativas.

Aliás, no contraste das inundações, temos a seca prolongada na região Sul e em parte do Mato Grosso do Sul que afeta a plantação de grãos. A estimativa é que haja um prejuízo de R$ 47 bilhões para o agronegócio, especialmente para a produção de soja, além do milho e feijão. O Brasil é um dos maiores produtores de biodiesel do mundo, a seca e, consequentemente, a queda na produção, impactam diretamente na indústria produtiva.

E não é apenas o segmento do biocombustível que sofrerá com a redução dos insumos e, portanto, alta dos preços. A indústria de alimentos também será afetada, o valor da carne, por exemplo, continuará alto motivado pelo preço da ração, que tem o milho como um dos principais ingredientes. 

Por ser um país continental, no Brasil conseguimos visualizar de maneira mais ampla os efeitos que as mudanças climáticas têm gerado. Dados divulgados recentemente pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que 2021 foi um dos sete anos mais quentes registrados na história, o que representa o avanço do efeito estufa. O que esse levantamento desenha é a tendência para os próximos anos, que deve ser de ocorrência de mais desastres ambientais.
Agora, o que se espera do poder público é ação. Não basta socorrer os municípios quando o estrago já está feito, é preciso pensar agora, o que pode ser realizado para evitar os desastres e minimizar os impactos para a população e os setores produtivos. 

Já passou da hora de colocar o dedo na ferida e mudar esse resultado que é mais do que previsível. Para isso, é preciso investimentos, projetos e, principalmente, boa vontade.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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