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PIB: uma via de mão dupla

Um dos efeitos práticos do desajuste da cadeia produtiva é a indisponibilidade de semicondutores, problema que acompanha diversos setores da indústria, e que é uma pedra no sapato

José Francisco Caseiro
11/06/2022 às 08:51.
Atualizado em 11/06/2022 às 08:51

Em 2021, o PIB do segmento foi de R$ 837,2 bilhões, o que representa 11,3% de toda riqueza produzida no Brasil (José Cruz - Agência Brasil)

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PIB: uma via de mão dupla

Um dos efeitos práticos do desajuste da cadeia produtiva é a indisponibilidade de semicondutores, problema que acompanha diversos setores da indústria, e que é uma pedra no sapato

José Francisco Caseiro
11/06/2022 às 08:51.
Atualizado em 11/06/2022 às 08:51

Em 2021, o PIB do segmento foi de R$ 837,2 bilhões, o que representa 11,3% de toda riqueza produzida no Brasil (José Cruz - Agência Brasil)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou o primeiro trimestre com alta de 1%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, esse número poderia ser maior caso a indústria tivesse um desempenho mais robusto, mas o setor avançou 0,1%, ou em outras palavras, ficou estagnado no período. O que os índices mostram é que quando a indústria não cresce a economia do país também não avança. 

Em 2021, o PIB do segmento foi de R$ 837,2 bilhões, o que representa 11,3% de toda riqueza produzida no Brasil. À primeira vista, o número pode chamar atenção, mas se analisarmos vemos que a participação da indústria regrediu nas últimas décadas. Hoje está nos níveis dos anos 1950, ou seja, um retrocesso de 70 anos. 

Essas estatísticas demonstram que a procura e o consumo caíram? Que a indústria foi incompetente? Não, muito pelo contrário. O que ocorreu nas últimas décadas foi uma série de aspectos que impactaram na produção industrial nacional, alguns dos exemplos são o crescimento de outros mercados, incluindo o chinês, políticas de incentivo ao setor e injeção de recursos por outros países, enquanto no Brasil, bom, os resultados apresentados até aqui falam por si só.
É chover no molhado dizer que a indústria sofreu um grande impacto e enfrenta as consequências da pandemia e  da guerra entra a Rússia e Ucrânia, mas fato é que o setor ainda estava se recuperando da crise econômica de 2014. 

Desde então, a indústria tem convivido com a escassez de matéria-prima, dificuldade para adquirir insumos, obstáculos na logística de aquisição e distribuição dos produtos, além, é claro, de juros mais altos, dólar mais caro e a inflação, personagem que insiste em nos rodear. Todos esses fatores colaboram para os resultados, mesmo que positivo neste primeiro trimestre, muito aquém do que poderia entregar.  Somado a isso, temos mais de 11 milhões de desempregados e outros tantos que viram a renda cair, o que desacelera o consumo e o setor manufatureiro.

Um dos efeitos práticos do desajuste da cadeia produtiva é a indisponibilidade de semicondutores, problema que acompanha diversos setores da indústria, e que é uma pedra no sapato. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) identificou a paralisação na produção de 14 fábricas neste ano por causa da falta destas peças. Situação que gerou uma queda de 21,4% na produção no quadrimestre. A entidade projeta que a situação seja resolvida até o fim de 2022 e estima crescimento de 9,5%. 

O que fazer, então, para reverter essa situação? Bom, a palavra de ordem é olhar para o futuro e rever as políticas atuais. A indústria é mais que apenas o motor para crescimento do PIB, ela representa desenvolvimento econômico e social. Hoje, o segmento é o que oferece as melhores remunerações dentre os setores econômicos.  

Uma das lições que a pandemia deixou foi o investimento em pesquisas e a aplicação da tecnologia. O segmento responde por 68,6% de todo o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento. 

A receita de desenvolvimento passa pela criação de linhas específicas de crédito, além de ações, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, que removam obstáculos burocráticos que impeçam a implantação ou crescimento das empresas.

E por fim, temos a reforma tributária, que é um anseio não apenas da indústria, mas de todos. Os impostos não podem ser um ônus e sim, um indutor de desenvolvimento, fazendo com que o estado custe menos e atenda de maneira mais eficiente e produtiva as necessidades da população. 

Esperamos que o calendário eleitoral deste ano não seja um empecilho para a votação de matérias tão importantes e decisivas para o aquecimento da economia, e claro, para a retomada tão aguardada dos setores econômicos.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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