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No grito, não

"Bolsonaro saiu menor do que entrou na semana da Pátria"

Laerte SilvaPublicado em 10/09/2021 às 17:44Atualizado há 17 dias
"A postura presidencial passou longe de manifestações toleráveis", avalia Laerte Silva / Foto: arquivo
"A postura presidencial passou longe de manifestações toleráveis", avalia Laerte Silva / Foto: arquivo

No dia 07 de setembro não houve exaltação a independência do Brasil. Assistimos manifestações com viés eminentemente político e eleitoral da parte do presidente Jair Bolsonaro, com ataques ao Supremo Tribunal Federal - STF, especialmente ao Ministro Alexandre de Moraes, e também ao Ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Roberto Barroso. A participação popular e a voz do povo são importantes para o que queremos como democracia, mas as bandeiras de luta devem guardar relação com a realidade e não serem impulsionadas por demagogias e bravatas.

Aliás, a democracia foi usada como pretexto para protestos que mais uma vez buscaram plantar narrativas falsas, com desrespeito à Constituição Federal em seus argumentos, passando um plano intimidatório e autoritário. Ora, Jair Bolsonaro desdenha da Constituição que lhe protege no cargo.  Se para ofender, atacar chamando ministro do STF de canalha e instigar a desobediência nega os termos da Constituição para seus inimigos imaginários, motiva que também assim o seja contra si. Ou não ?  Não é razoável.

A postura presidencial passou longe de manifestações toleráveis. Nenhuma palavra ao povo que ainda enfrenta a pandemia, nada sobre a alta inflação, sobre o preço do gás de cozinha, dos combustíveis, da frágil e descontrolada economia com um ministério que nada resolve, sobre a crise energética negada e com aumentos sucessivos na conta de luz, enfim, nenhum discurso pacificador, ou seja, a beligerância deu o tom como se ao fim do dia o Brasil passasse para um outro estágio, por certo no seu ideário e populismo de democracia às avessas.

Para os que foram às ruas, legitimamente, aceitável até que assumam postulações desconexas com a realidade e a lei, mas ao presidente da República não, ele esquece que faz parte do sistema, que como um chefe de nação deve liderar e buscar soluções, não criar guerras.  Se acredita nas próprias alegações, que use os meios legais, mas não sendo bravateiro e instigando violência em palanques e prejudicando a combalida economia como fez dando espaço a bloqueios de estradas por caminhoneiros, tentando depois consertar enviando mensagem de aplicativo. 

Bolsonaro saiu menor do que entrou na semana da Pátria. Também foram frágeis algumas respostas de autoridades aos seus atos. Não foi uma festa cívica, mas há tempo para ajustar o rumo, se o Presidente quiser, desde que saiba que não é com grito e “trovão” que se resolve.  

Laerte Silva é advogado

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