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Muro das lamentações

"Só o antipetismo não pode ter trazido, como resultado, tudo que vemos e ouvimos nos dias pós-eleição. Nada é igual à mediocridade política em que nos encontramos"

Marco Antônio Nahum
12/11/2022 às 07:11.
Atualizado em 12/11/2022 às 08:54

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Muro das lamentações

"Só o antipetismo não pode ter trazido, como resultado, tudo que vemos e ouvimos nos dias pós-eleição. Nada é igual à mediocridade política em que nos encontramos"

Marco Antônio Nahum
12/11/2022 às 07:11.
Atualizado em 12/11/2022 às 08:54

É obsessão. Fico me perguntando, onde erramos?

Só o antipetismo não pode ter trazido, como resultado, tudo que vemos e ouvimos nos dias pós-eleição. Nada é igual à mediocridade política em que nos encontramos.

De um lado, para que se tenha noção da qualidade de alguns políticos eleitos, em menos de quinze dias das eleições seis deputados (até agora) tiveram suas contas em redes sociais suspensas por difundirem mentiras.  São os representantes do povo, recém-eleitos, que divulgam, conscientemente, mentiras.

Os antigos mogianos lembram-se do “Odair Mentiroso”? Não tivesse falecido, hoje seria deputado.

De outro lado, para dizer o mínimo que se vê, temos eleitoras que transformaram os muros dos quartéis em “muros das lamentações”. E se ajoelham. E rezam. E gritam ao rezar.

Minha mãe costumava rezar alto. Embora trancada em seu quarto, ouvíamos do lado de fora. Certa vez lhe perguntaram se Deus era surdo? Ela riu muito... E respondeu que tantos eram os pecados dos próprios filhos que tinha medo que Ele não mais a escutasse!

E ao rezar nos muros de lamentações que se transformaram as paredes exteriores dos quartéis, as pranteadeiras atuais pedem a intervenção militar. E pedem isso porque seu candidato a presidente perdeu as eleições. E perdeu nas 100 cidades brasileiras com maior número proporcional de beneficiários do “Auxílio Brasil”, além de bloquear estradas por meio de “operação padrão” da Polícia Rodoviária Federal, e manter artificialmente preços de produtos até a eleição.

E pedem a Deus que ilumine os militares para outra intervenção, não obstante tudo que já passamos desde 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985.

João Bosco, desde há muito, afirma:  

“... E nuvens lá no mata-borrão do céu/ Chupavam manchas torturadas/Que sufoco!/ Louco! ...”

Por falar em militar, é do presidente Getúlio Vargas a famosa e pejorativa frase “A lei, ora a lei”.  Hoje, vários brasileiros além de rezar, afirmam sem pudor: “a Constituição, ora a Constituição”. “O Estado de Direito, ora o Estado de Direito”, diante da possibilidade subjetiva, hipotética e especulativa de um governo de esquerda eleito por uma conjectural, mas não demonstrada, fraude eleitoral.

E o adversário?

Percebeu que além dos seus seguidores, outros se juntaram, apenas em razão da defesa das Instituições Democráticas que corriam risco concreto.

Cessado esse perigo, apenas uma frente ampla com propostas que vão além daquelas da agenda do PT, e represente “um governo aberto” lhe darão o magnetismo necessário para acrescentar  o apoio da naufragada terceira via, indispensável para a governabilidade pacífica do país.

Governabilidade pacífica?

Somente se Deus (assim como nos saudosos tempos de minha mãe) resolver não ouvir as carpideiras, porque os pecados praticados contra a democracia foram tantos que Ele resolva não as escutar! 

Marco Antônio Nahum é desembargador mogiano aposentado

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