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ARTIGO

Luto na mata

"Crime jogou luz em algo que não é novo, mas recorrente: a morte de vozes que se levantam para expor a bandidagem da Mata, que se aproveita da ausência de políticas de proteção dos povos indígenas"

Laerte Silva
18/06/2022 às 08:07.
Atualizado em 18/06/2022 às 08:07

Bruno e Dom foram assassinados no AM (TV Globo/Reprodução)

Motivação! É de extrema importância apurar a razão da morte do jornalista e correspondente do jornal The Guardian, Dom Phillips, e do servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio) e indigenista, Bruno Araújo, desaparecidos desde o último dia 5 de junho no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte (AM) no Vale do Javari. Preso o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “pelado”, ele confessou o crime e levou os policiais até a região do Rio Javari onde teria dado cabo da vida dos dois. Segundo informações que ainda se confirmarão, esquartejando os corpos, um requinte de crueldade.   

 É fundamental o trabalho pericial para apurar como o crime aconteceu, e um rigoroso trabalho investigativo para apuração de co-autores e também mandantes, afinal, na região amazônica e particularmente onde os fatos aconteceram, há um grande movimento de pesca e caça ilegais e atividade de traficantes. 

Polícia Civil e Federal devem trabalhar em conjunto para determinar a dimensão deste crime de repercussão internacional, se foi um crime comum, de mando ou outra ação organizada.

A projeção do desaparecimento se deve em parte à postura inicial do Governo Federal que minimizou o que poderia ter ocorrido, imputando às vítimas relativa culpa do acontecido – até então um desaparecimento – por supostamente estarem em uma aventura em local perigoso.   A prisão e a confissão provam o contrário.

A extensão territorial brasileira, a floresta amazônica e suas riquezas demandam o emprego de ações focadas em políticas públicas de preservação, vigilância, fiscalização e proteção dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas desprovidas de contato com os grandes centros, a fim de que o Estado se faça presente em todos os sentidos, provendo saúde, educação e segurança, para ficar no mínimo, oportunizando a integração entre os que vivem na região, detectando e prontamente atuando contra ações ilegais de pesca,  caça, extração de madeira, presença estrangeira não autorizada, garimpo e o narcotráfico.

O crime, tal como o desfecho do caso assim acabou definindo, jogou luz em algo que não é propriamente novo, mas recorrente, a morte de vozes que se levantam para expor a face da bandidagem da mata, que se aproveita da ausência de investimento e de políticas federais de proteção dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas e dos recursos naturais que despertam a ganância de criminosos que se sentem assim protegidos e impunes. 

Laerte Silvia é advogado

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