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ARTIGO

Flexibilização na construção civil

"Em um esforço conjunto, conseguimos elevar a representatividade feminina em quase 14% de 2019 para 2020: 4 mil mulheres que respondem por 20% dos funcionários"

Junia Maria de Sousa Lima GalvaoPublicado em 05/01/2022 às 07:16Atualizado há 20 dias

Engenheiras, armadoras, soldadoras, pedreiras, carpinteiras, serralheiras, encarregadas de obras, operadoras de máquinas... Eis aqui uma lista de designações profissionais muito comuns no universo da construção civil, mas que até hoje nos soam estranhas quando flexionadas no feminino, tão raras são as vezes que ouvimos (ou falamos) de mulheres que exercem esses ofícios.

Afinal, são funções historicamente associadas ao público masculino, a ponto de até nos despertar vieses conflitantes quando expressadas. Evidência clara de que a equidade de gênero, neste segmento, ainda é algo bastante distante da realidade.

As profissões mencionadas, aliás, só exemplificam um cenário presente em centenas de outras atividades do ramo da Construção Civil - um setor essencialmente masculino, mesmo nas ocupações de chefia e nas funções que não requerem uso de força física para desempenhá-las.

O dado mais recente do Ministério da Economia (Rais 2016) aponta que as mulheres representam apenas 9,9% dos profissionais do segmento. Buscar o equilíbrio dessa proporção é um desafio ousado aos gestores de companhias que têm a agenda ESG entre suas diretrizes de governança.

Um desafio ousado, mas válido! – importante ressaltar. Não só pela questão da igualdade de oportunidades, tendo em vista que a construção civil é um dos setores que mais emprega no país e, neste momento de crise, pode servir de salvaguarda para milhões de chefes de família – homens ou mulheres. Mas, também, pelo entendimento de que adiversidade contribui para o melhor desempenho das corporações e pode ser aplicada à Construção Civil. Por que não?

Como representante do setor há quase 20 anos e diretora-executiva da maior empresa da construção da América Latina, posso afirmar seguramente (e por experiência própria) o quanto a presença feminina tem impactado positivamente as nossas operações. Ao passo que cresce a proporção de mulheres em nosso time, cresce o desempenho dos negócios, em volume, dividendos e expansão. 

Em um esforço conjunto, conseguimos elevar a representatividade feminina em quase 14%, de 2019 para 2020. Alcançamos a marca de 4 mil mulheres, que hoje representam mais de 20% dos funcionários – o dobro da média verificada no setor.

Podemos afirmar que flexionamos em gênero, número e grau a composição de nossos quadros profissionais, pois além de valorizar a presença feminina, houve aumento de contratação e de presença em postos-chaves. Esse esforço teve o reconhecimento da ONU Mulheres, que em novembro nos concedeu o selo Women on Board (WOB). 

Esse processo de disrupção, como se pode ver, já está em curso. Portanto, que venham muitas gesseiras, encanadoras, arquitetas, diretoras, conselheiras, executivas e todas as demais mulheres dispostas a transformar esse universo.  

Junia Maria de Sousa Lima Galvao é diretora-executiva de Administração e Desenvolvimento Humano da MRV e membro do conselho de administração da Urba, empresa subsidiária do Grupo MRV&CO

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