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ARTIGO

Fôlego na indústria

"Com o sistema produtivo em alta, os empregos também crescem"

José Francisco CaseiroPublicado em 03/09/2021 às 15:02Atualizado há 24 dias

Pelo terceiro mês consecutivo a produção industrial apresenta crescimento e a taxa de empregos não cai há 13 meses. Os números indicam a retomada do setor neste momento de pandemia de Covid-19. As expectativas para os próximos meses são otimistas e reforçadas pelo avanço da vacinação. 

A pesquisa de Sondagem Industrial mostra que em julho a evolução da produção ficou em 53,7 pontos, o que representa um crescimento de 1,7 ponto em relação a junho.  

O número apurado em escala nacional pela Confederação das Indústrias pode parecer pequeno, se considerar que em julho de 2020 esse indicador estava em 59,4 pontos, mas não se pode negar que após sofrer constantes quedas iniciadas em dezembro de 2020, com 46,8 pontos, e janeiro, quando a evolução da produção alcançou 48,2 pontos, a série gera otimismo para a indústria. O fato é: quanto mais o setor ultrapassa a linha dos 50 pontos, mais intensa e generalizada fica a produção. 

Com o sistema produtivo em alta, os empregos também crescem. Na área de atuação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Alto Tietê, podemos celebrar o saldo positivo de 459 empregos em julho  e um saldo de 3.724 postos de trabalho criados desde janeiro.

Outro indicador que chama atenção é o da utilização da capacidade instalada da indústria que se manteve em 71% de junho para julho. O atual percentual é o maior para o mês desde 2013, quando a indústria ainda não sofria com os efeitos da crise econômica de 2014/2016. 

Todos esses fatores têm contribuído para o otimismo do empresário, que nos próximos meses espera o aumento da demanda e das exportações, e prevê a necessidade de investimentos para a ampliação da produção, o que resulta no aumento de vagas de empregos. 

Efetivamente, podemos ver esse resultado nos números da balança comercial, divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Nossa Região foi responsável por exportar US$ 366,4 milhões ao longo do primeiro semestre deste ano. O montante é 17,2% maior se comparado com o mesmo período do ano passado. O nível de importação no primeiro semestre foi expressivo. Foram US$ 749,4 milhões, valor que é 30,3% maior que o registrado de janeiro a junho de 2020, o que simboliza aumento na aquisição de matéria-prima e equipamentos.

Alguns segmentos tiveram destaque neste cenário. O setor de papel e cartão foi responsável por 19,3% do volume exportado, com  mais de US$ 70,7 milhões em produtos enviados para fora do país. 

Este bom resultado respalda as expectativas da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel), que espera um crescimento de 8,8% para este ano. O setor, como outros segmentos, sofreu com a falta de matéria-prima, mostra sua recuperação.  

A indústria de papel é um dos principais negócios do Alto Tietê. Nossa Região é berço de algumas das maiores empresas de celulose do Brasil e do mundo. E agora, está vivendo um aumento na demanda, motivado, em partes, pelo boom do e-commerce, que foi impulsionado pela pandemia de Covid-19, e que tem se mantido forte. Além disso, a reabertura das lojas físicas reforçou a busca por embalagens, como sacolas de papel e outros insumos.  

Outro fator que colaborou para os bons números da indústria de papel foi o crescimento do serviço de delivery aliado a decisão de cidades e redes de fast-foods de substituírem embalagens plásticas e de isopor, por papel e papelão. 

Segundo a Empapel, apenas a produção de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado alcançou o patamar de 329.757 toneladas em junho. O montante é 16,7% maior que o conquistado no segundo trimestre de 2020. No primeiro semestre deste ano, a indústria produziu 1.992.653 toneladas, volume que é 13% superior se comparar com os seis primeiros meses do ano passado. 

Os números demostram que gradativamente a indústria tem aumentado sua produção, o nível de empregos e a confiança. Mas sabemos que o crescimento ainda não é uniforme, alguns segmentos tem conseguido superar o momento de crise mais rápido que outros. O certo é que nenhum passará ileso a esta crise sanitária que já deixou um saldo amargo e triste pelas vidas perdidas.  Existe um caminho a ser percorrido para retornar aos níveis pré-pandemia, e ao longo dele existem vários obstáculos, o mais recente é a proposta de reforma do Imposto de Renda, que da maneira que está, vai onerar o setor, afugentar investimentos e contribuir para o desemprego. A indústria, mais uma vez, está lutando para evitar este retrocesso que impactará na retomada econômica que começa a se desenhar.  Fiquem atentos!

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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