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ARTIGO

Exemplo regional

"Exemplo veio de empresa nascida na região, a Suzano, uma das principais indústrias de celulose do mundo, com o reflorestamento e a utilização de outras fontes de energia"

José Franciso CaseiroPublicado em 05/11/2021 às 16:47Atualizado há 24 dias
 Suzano, uma das principais indústrias de celulose do país / Divulgação
Suzano, uma das principais indústrias de celulose do país / Divulgação

Nos últimos dias o mundo voltou às atenções para Glasgow, na Escócia, onde as principais potências mundiais estiveram reunidas para participar da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), evento que discutiu metas e projetos para a redução de poluentes e a crise climática. 

A indústria, que já foi retratada como um dos setores mais poluentes, com suas chaminés exalando nuvens de fumaça para a atmosfera, hoje dá exemplo quando o assunto é a redução de emissão de gases poluentes. 

O que foi debatido pelos países na COP26 é perseguido de maneira firme pelas indústrias brasileiras, que busca tecnologias e maneiras de minimizar a emissão de gases poluentes, e assim, colaborar para reverter o processo de aquecimento global.

Um levantamento do Observatório do Clima, organização que monitora as emissões de gases do efeito estufa em todo o território brasileiro, mostrou que em 2020, período em que muitas fábricas ficaram fechadas em razão da pandemia de Covid-19, a indústria foi responsável por liberar 5% do total dos gases poluentes medidos pela entidade, o percentual é igual ao de 2019. Em nosso país, diferente de outros locais, o principal emissor de carbono não é o processo industrial, mas a mudança do uso da terra e da floresta. 

Os passos dados pela indústria chamaram a atenção e ganharam destaque em edição do Jornal Nacional de alguns dias. E um dos exemplos veio de uma empresa que nasceu em nossa Região, a Suzano, uma das principais indústrias de celulose do país e do mundo. Além do processo de reflorestamento, necessário para a produção da celulose, matéria-prima para a produção do papel, a empresa aproveita a lignina, um composto presentes nas árvores, que é utilizado para gerar toda a energia da fábrica e o que sobra vai para o sistema nacional de geração, transmissão e distribuição de eletricidade.

A maior parte da energia consumida pelas nossas indústrias já vem de fontes renováveis. Hoje 83% da eletricidade que consumimos são destas matrizes, das quais, 65% vêm das usinas hidrelétricas. No entanto, neste ano, que estamos enfrentando uma das piores crises hídricas dos últimos anos, mostrou os prejuízos e desafios de depender basicamente de uma única fonte de energia.

Sabemos que somos uma parte importante desta mudança, a energia solar e eólica já é realidade para diversas empresas espalhadas pelo Brasil, mas mesmo com ampliação de financiamento, redução de custos e juros, ainda é necessário um grande investimento para implantar essas fontes energéticas. 

Quando falamos de energia solar e eólica, a indústria só tem a ganhar, pois a geração de tecnologias proporciona a oportunidade da criação de novas empresas e empregos. Estas matrizes colocam fim à dependência de uma única fonte de energia e a médio e longo prazo, colabora para o barateamento da eletricidade, ou seja, dos custos de produção.

Para a indústria, frear ou ajudar a reduzir os impactos das mudanças climáticas, é primordial para a continuidade de nossa produção. A crise do clima é responsável por provocar inundações, secas extremas, invernos severos e diversos cenários que influenciam nos custos de produção, aquisição de insumos e matérias-primas, e encarecimento do processo de distribuição.

Porém, sabemos e defendemos que este esforço precisa ser conjunto entre a iniciativa privada e o setor público. Exemplo disso é o Projeto de Decreto Legislativo 1100/18, que aprova o texto da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, que estabelece metas de redução dos gases hidrofluorcarbonetos (HFCs) em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. Hoje, a proposta está para aprovação pela Câmara dos Deputados.

Mas, afinal, o que representa essa medida? A aprovação da emenda abre a possibilidade para que a indústria nacional tenha acesso a US$ 100 milhões do fundo multilateral para colaborar na produção de equipamentos mais eficientes. O texto  aumentaria a competitividade industrial e evitaria que o país se tornasse depósito de produtos obsoletos e de alto consumo de energia. 

A preocupação da indústria com a redução da emissão dos gases poluentes e uma economia sustentável está no estudo “Mercado de Carbono – Análise de Experiências Internacionais”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em setembro, e promovido com base na realidade ambiental brasileira e experiências internacionais. Assim, temos uma lição de casa: colaborar com a redução de emissão de gases poluentes, perseguir tecnologias que reduzam os impactos ambientais e ampliar o uso de fontes energéticas limpas. Tudo isso também deve ser prioridade de todos os setores.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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