Entrar
Perfil
ARTIGO

Dia do Tietê: Temos o que comemorar?

Neste dia 22 de setembro devemos refletir sobre nossas atitudes e como daqui para frente devemos atuar e modificar nossa relação com o rio Tietê

Alexandre Hilsdorf
22/09/2022 às 06:26.
Atualizado em 26/09/2022 às 12:03

O Estado de São Paulo celebra hoje o poluído Rio Tietê, manancial que nasce em Salesópolis (Arquivo O Diário)

"Água do meu Tietê, Onde queres me levar? ..... Uma lágrima apenas, uma lágrima, Eu sigo alga escusa nas águas do meu Tietê." Esse foi o final do poema "A Meditação sobre o rio Tietê" escrita por Mario de Andrade em 1945. Nesta época, o poeta já expressara em palavras melancólicas a perda do significado do Rio Tietê para os moradores da cidade de São Paulo.

E parece que isso não mudou e de certa forma se agravou.

O rio Tietê que o poeta diz “Rio que entras pela terra / e que me afastas do mar..." foi o que permitiu desbravar o interior de São Paulo e serviu de fonte de alimento e água para os primeiros assentamentos, para depois se tornar a cidade pujante que é hoje a cidade de São Paulo.

O rio Tietê, que nasce em Salesópolis como um pequeno córrego e atravessa cidades de nossa região, não poderia ser tratado por nós como um cidadão indesejável. Passamos todos os dias por ele em nosso dia a dia e não prestamos atenção do que ele poderia representar para nossa cidade e nossas vidas. Olhamos suas águas e nos perguntamos.

Há vida pulsando abaixo do que podemos enxergar? O rio Tietê ao longo dos anos não tem recebido a atenção necessária para podermos ter orgulho de sua presença. Normatizamos seu aspecto e muitas vezes apenas o vemos como um canal de água a céu aberto. Gostaríamos de um dia poder apresentá-lo como os franceses exibem o rio Sena ou mesmo os ingleses o rio Tâmisa para seus visitantes, com muito orgulho de sua presença. Não quero ser pessimista, temos como recuperar o rio Tietê.

A ciência e a vontade política devem se aliar na busca do conhecimento necessário sobre o rio Tietê. Entender quem são seus habitantes, descobrir seus meandros e segredos ainda recônditos que ele ainda nos reserva, cobrar a ação do poder público e principalmente nosso entendimento que devemos respeitá-lo, apreciá-lo e fazer dele um habitante honorável de nossa cidade.

Neste dia 22 de setembro, mais do que apenas dizer hoje é o dia do rio Tietê, devemos refletir sobre nossas atitudes e como daqui para frente devemos atuar e modificar nossa relação com o rio Tietê.  

Alexandre Hilsdorf é professor e pesquisador do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC)

Conteúdo de marcaVantagens de ser um assinanteVeicule sua marca conosco
O Diário de Mogi© Copyright 2022É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por