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GUERRA

De que lado Bolsonaro está

A grande maioria dos historiadores que analisaram as consequências do Acordo de Munique concorda que foi a fraqueza dos líderes ocidentais que incentivou Hitler na sua escalada militar

João Anatalino Rodrigues
09/03/2022 às 07:24.
Atualizado em 09/03/2022 às 07:24

SITUAÇÃO Guerra na Ucrânia, após invasão de tropas russas, provoca consequências na economia mundial, em Mogi, as multinacionais aguardam decisões das matrizes (Divulgação - Gabinete do Presidente da Ucrânia)

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GUERRA

De que lado Bolsonaro está

A grande maioria dos historiadores que analisaram as consequências do Acordo de Munique concorda que foi a fraqueza dos líderes ocidentais que incentivou Hitler na sua escalada militar

João Anatalino Rodrigues
09/03/2022 às 07:24.
Atualizado em 09/03/2022 às 07:24

SITUAÇÃO Guerra na Ucrânia, após invasão de tropas russas, provoca consequências na economia mundial, em Mogi, as multinacionais aguardam decisões das matrizes (Divulgação - Gabinete do Presidente da Ucrânia)

Em 1938, com a deslavada desculpa de proteger os alemães que viviam na região dos Sudetos, então república da Tchecoslováquia, que segundo ele estavam sendo massacrados pelos tchecos, Hitler invadiu a nação vizinha, abocanhando um terço do seu território e metade do seu Produto Interno Bruto. França, Inglaterra, então as potências ocidentais da época protestaram, condenaram o ditador alemão, mas no fim assinaram o Acordo de Munique entregando de mão beijada a nação tchecoslovaca à sanha do ditador. Chamberlain e Daladier, então primeiros-ministros da Inglaterra e França, respectivamente, não tiveram coragem para confrontar o ditador alemão. Alguns meses depois Hitler ocupava a Áustria e voltava suas baterias contra a Polônia, com a mesma desculpa esfarrapada.

A grande maioria dos historiadores que analisaram as consequências do Acordo de Munique concorda que foi a fraqueza dos líderes ocidentais que incentivou Hitler na sua escalada militar. Todos acordam que se Chamberlain e Daladier, com o apoio dos americanos, tivessem resistido às pretensões do ditador alemão em Munique, provavelmente a segunda guerra mundial não teria ocorrido.
É, mais ou menos, o que está acontecendo hoje com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ninguém espera que esse conflito possa evoluir para uma conflagração mundial, como a que ocorreu em 1939, mas os mesmos argumentos políticos estão sendo invocados pelo ditador russo para invadir a Ucrânia. E a mesma atitude compassiva e acovardada está sendo assumida pelos líderes ocidentais. Pois sabemos que as propaladas sanções que o mundo ocidental está prometendo contra a Rússia, a curto prazo, em nada a afetarão.

É claro que a distribuição do poder entre as superpotências da atualidade é muito diferente do que era 80 anos atrás. Um novo conflito mundial destruiria o planeta inteiro e temos certeza de que nenhum líder político, por mais louco que seja, assumiria esse risco. Isso justifica o cuidado com que as potências ocidentais estão tratando o caso, mas as semelhanças com os fatos que antecederam a segunda guerra mundial são preocupantes.
Outro paralelo observado é o comportamento do governo brasileiro. Na época, o ditador brasileiro Getúlio Vargas oscilou sua simpatia entre os países do eixo Alemanha- Itália- Japão e os aliados ocidentais. Só se decidiu quando os Estados Unidos entraram na guerra e o forçaram a escolher um lado. Bolsonaro parece estar seguindo o mesmo caminho. Ninguém sabe de que lado ele está.

Apenas uma coisa parece certa: se Donald Trump ainda fosse presidente dos Estados Unidos, com certeza ele já teria declarado seu apoio ao ocidente. Mas hoje, quem mais se parece com ele é o autocrata Putin. E para ele, enquanto não se sabe de que lado a bola vai cair, é melhor ficar em cima do muro. Há quem chame isso de prudência, mas outros dirão que é covardia e despreparo para o cargo que ele exerce.

João Anatalino Rodrigues e escritor e presidente da Apae de Mogi das Cruzes

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