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Brasil, meu Brasil

'Não há vencedores quando, apesar de todo o esforço da imprensa, de ótimos jornalistas, os candidatos e candidatas não entendem isso e apenas focam no debate de mentiras'

Jose Francisco Caseiro
01/09/2022 às 10:30.
Atualizado em 01/09/2022 às 10:30

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Brasil, meu Brasil

'Não há vencedores quando, apesar de todo o esforço da imprensa, de ótimos jornalistas, os candidatos e candidatas não entendem isso e apenas focam no debate de mentiras'

Jose Francisco Caseiro
01/09/2022 às 10:30.
Atualizado em 01/09/2022 às 10:30

O verde e o amarelo já começam a ganhar espaço nas ruas, o que ajuda a economia voltar ao azul. A Copa do Mundo, evento que acontece a cada quatro anos, é responsável por movimentar diversos setores econômicos, incluindo a indústria, que tradicionalmente aumenta sua produção para atender a busca por televisores novos, roupas com as cores da seleção brasileira, além de alimentos e bebidas.  A brasilidade, no entanto, começa a ser comemorada agora. No dia 7 de setembro temos o bicentenário da Independência do Brasil, marco para história, desenvolvimento e economia brasileira. 

Há 200 anos, às margens do riacho Ipiranga, dom Pedro I declarava a Independência do Brasil do domínio português. O ato foi responsável por transformar o nosso país no que ele é hoje. Mais que um marco na história do país, a decisão do monarca refletiu na trajetória e economia brasileira. 

A data é uma oportunidade de revisitar o passado e olhar para o futuro.

Na época, 1822, a Revolução Industrial já havia sido implantada, a Inglaterra era a grande potência e uma parceira comercial de um Brasil recém emancipado que exportava matéria-prima para as indústrias europeias. Dois séculos depois, o país continua exportando insumos para fora e comprando itens acabados, como é o caso da China, para quem enviamos a soja, mas não o óleo de soja, produto beneficiado e com maior valor agregado. 

É inegável a contribuição que a exportação de matérias-primas tem para a economia brasileira, especialmente neste período. No entanto, há de se ponderar que ela reflete a movimentação das commodities, quando a demanda e os preços estão em alta tudo segue bem, mas quando há baixa, ocorrem as crises. 

Tão inestimável quanto a exportação dos produtos primários foi a evolução da indústria brasileira ao longo da história, mas não há como negar que estamos vivendo um processo de desindustrialização, algo que ficou evidente durante a pandemia de Covid-19, quando faltaram insumos, como máscaras hospitalares ou mesmo as vacinas, que chegaram primeiro aos países do hemisfério norte, que concentram as  maiores empresas farmacêuticas. Esses são apenas dois exemplos de como o Brasil perde ao não colocar a industrialização como prioridade. 

Um dos motivos que fez com que o país enfrentasse essa crise, foi o espírito inventivo presente no DNA do brasileiro, povo acostumado a enfrentar as adversidades, que apesar de todas as dificuldades se movimentou para encontrar alternativas para superar a pandemia.
E esse mesmo brasileiro é conhecido por ter o futebol como paixão, por isso, a expectativa da indústria é que a Copa do Mundo aqueça nossa economia.

No primeiro semestre do ano, o setor industrial foi afetado pelo aumento do custo da produção, gerado pela falta de insumos, dólar e juros altos, além do valor do frete marítimo e gargalos logísticos, situação que ainda impacta o setor, mas que esperamos que melhore neste segundo semestre.  

Um dos fatores que ajudam nessa acomodação é o retorno do consumo. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de agosto atingiu 82,1 pontos. O número é o maior desde abril de 2020 (95,6 pontos) e superior aos índices do mesmo mês nos dois últimos anos. Isso quer dizer que as lojas conseguirão escoar seus estoques com mais facilidade e os pedidos de novos produtos aumentarão.  

Entre os itens mais desejados pelos brasileiros estão os produtos eletrônicos como as televisões, equipamentos de som e áudio, refrigeradores e aparelhos de ar condicionado.  

Mas esse não deve ser o único segmento industrial impactado. Normalmente, o consumo de bebidas como os refrigerantes e principalmente a cerveja, cresce impulsionado pelo hábito do brasileiro de assistir aos jogos em bares ou em casa com amigos e família. A indústria têxtil é outro setor que deve se beneficiar da tradição de assistir os jogos uniformizado com as cores da seleção.  

Além disso, a produção industrial deve ser incrementada também pela junção de alguns fatores, como a Black Friday, que se consolidou nos últimos anos, o Natal, a principal data de vendas para o comércio, o que significa uma demanda maior para diversos segmentos industriais, como o têxtil, de calçados, brinquedos e alimentos, bem como a implantação datecnologia do 5G que tem impulsionado a busca por aparelhos celulares  compatíveis. O aumento do valor do Auxílio Brasil para R$ 600,00 até dezembro também é bem-vindo nesta conta.
Assim, o segundo semestre traz boas expectativas, mas também serve como um período para olhar pelo retrovisor e traçar o caminho para o futuro. E esse exame precisa passar necessariamente pela reindustrialização, pilar para conquistar a soberania diante do mundo e nossa independência plena. Neste ano, precisamos torcer para a vitória do Brasil dentro e fora de campo.  

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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