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ARTIGO

As novas gerações no modelo de escola

"O currículo escolar que antes era pautado nas disciplinas, passa a ser fundamentado em problemas. desafio é elaborar um planejamento integrado"

João Carlos MartinsPublicado em 08/09/2021 às 08:06Atualizado há 20 dias

Seja nas instituições de ensino públicas ou privadas, a chegada de uma nova geração às salas de aula afeta os modelos escolares. Essa discussão, por vezes pautada no saudosismo, esquece que não existe um tempo melhor ou pior do que o outro, apenas complexidades diferentes e a nossa obrigação de aprender a seguir em frente. As mudanças sociais nos indicam o caminho que deverá ser trilhado coletivamente.

Nessa evolução, é fundamental se ater à função social da escola. O conceito de complexidade de Edgar Morin nunca esteve tão presente. No lugar da fragmentação de saberes, o sociólogo propõe o conceito de complexidade - ou seja, aquilo que é tecido em conjunto. É impossível manter uma posição passiva frente a toda complexidade que estamos experienciando e que forma o terreno sob o qual a escola caminha.

Na década de 90 ouvimos falar sobre o acrônimo VUCA - que descrevia o mundo em quatro características: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. No entanto, nas palavras do antropólogo Jamais Cascio, isso mudou. Entramos no mundo BANI: Frágil, Ansioso, Não-Linear e Incompreensível. Nesse mundo volátil em que um vírus pode paralisar todas as cidades, a ansiedade é latente. Chega às escolas uma geração bem informada e bastante ansiosa.

O mais importante é entender como lidar com os novos papéis que a escola assume sem perder de vista a função principal da instituição de trabalhar o patrimônio cultural da humanidade. Vej  alguns aspectos que podem inspirar a transformação:

Olhar menos linear: É preciso colaborar com a formação dos professores para que consigam desenvolver planejamentos transdisciplinares, integrando assuntos ao invés de seguir o modelo linear e fragmentado. Com isso, o currículo escolar que antes era pautado nas disciplinas, passa a ser fundamentado em problemas. O desafio é elaborar um planejamento integrado e pensado a partir de temáticas fundamentais.  

Ensinando a pensar:  Se desde pequeno o aluno tem a informação na palma da mão, nosso desafio não é informar o aluno, mas colaborar para que ele problematize a profusão de dados recebidos diariamente. O ponto central é despertar a sagacidade no aluno, ensiná-lo a apurar aquilo que recebe, buscar informações consistentes. Para isso, entra em cena a Metodologia de Investigação.

Empatia e Escuta Ativa: Essa é uma geração acostumada a falar muito e escutar pouco. É importante exercitar a escuta ativa desde a educação infantil e fazer o estudante perceber que há momentos em que ouvir é primordial. Com isso, estamos trabalhando outro conceito importante: a empatia. Contudo, para isso, o papel do professor é essencial. Você escuta os seus alunos? Ou o coloca na posição passiva de espectador da aula?

Espaço Educador: Nessa escola plural e interligada, o espaço da sala de aula como único ambiente educacional caiu em desuso. O espaço educador é o espaço das relações, todo ambiente em que diferentes formas de pensar se encontram - em resumo, a escola inteira. 

Este é o caldeirão de desafios contemporâneos em que a escola está mergulhada. Cabe aos gestores educacionais e educadores, possibilitar que a mudança entre na sala de aula - e ela chega através dos alunos, das famílias e da sociedade. 

João Carlos Martins é professor e diretor-geral do Colégio Renascença

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