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Além do relógio

'Nada de patriotismo e família na condução dos depredadores do dia 8. Cumpriram o lema da bandeira que estavam em suas costas?'

Laerte Silva
21/01/2023 às 07:56.
Atualizado em 21/01/2023 às 07:56

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Além do relógio

'Nada de patriotismo e família na condução dos depredadores do dia 8. Cumpriram o lema da bandeira que estavam em suas costas?'

Laerte Silva
21/01/2023 às 07:56.
Atualizado em 21/01/2023 às 07:56

Em 11 de setembro de 2001 fundamentalistas islâmicos atacaram com aviões os Estados Unidos da América em vários locais, sendo marcante o ataque ao World Trade Center em New York, as chamadas torres gêmeas de um complexo empresarial, símbolo do capitalismo e opulência ocidental. Deixou um saldo de quase 3 mil mortos, inocentes que estavam apenas trabalhando.

Nosso 11 de setembro, guardadas as devidas proporções, foi em 8 de janeiro último, quando uma multidão de bolsonaristas de “raiz”, radicais, invadiram os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário em Brasília e quebraram suas sedes numa fúria absurda, danificando o patrimônio público, móveis e imóveis, ignorando a expressão de algumas obras e sua representação artística, cultural e histórica.

Deixaram uma conta que o povo brasileiro todo vai pagar para recompor tudo, isso se os extremistas e financiadores da barbaridade não forem identificados e julgados, ou ainda que o sejam, não tenham forças financeiras para pagar pela quebradeira.

Falo aqui de um fato trágico e não de discutir as preferências políticas e as convicções de cada um, não está em jogo também saber se bolsonaristas ou lulistas são certos ou errados, afinal, manifestações fazem bem à democracia, quando esta é realmente respeitada, sem uso de violência. Mas, também não cabe falar em “infiltrados” junto aos bolsonaristas invasores, os quais fizeram selfies e vídeos “orgulhosos” de sua obra. Também não se pode falar em regime de “exceção” para justificar os seguidores do “mito” que apagaram suas postagens nas redes sociais pela vergonha dos celerados vestidos de verde e amarelo que botaram para quebrar.

O que se pretende dizer aqui é que chegou-se ao extremismo pelo fanatismo cego e onda de fake news e ataques às instituições brasileiras, especialmente ao Executivo e ao Judiciário, desaguando em um vandalismo gratuito. Nada de patriotismo e família na conduta dos depredadores do dia 8. Cumpriram o lema da bandeira que estavam em suas costas ?

Debater é importante, mas a violência deslegitima a bandeira de luta. Ficou marcado entre as imagens e rostos do vandalismo, o militante que quebrou o relógio imperial doado por Dom João VI em 1808 e que estava no terceiro andar do Palácio do Planalto, sem falar na tentativa de explosão confessada pelo militante preso que queria “causar” em Brasília. Extrapolou-se a legítima discussão política e alimentou-se um campo de batalha. Para além do relógio quebrado é nisso o que deu o silêncio sepulcral do derrotado.

Laerte Silva é advogado

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