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Adeus, 2021

José Francisco CaseiroPublicado em 19/11/2021 às 14:50Atualizado há 10 dias

Fim do ano, normalmente, é um período para fazer um balanço sobre o ano que termina e refletir sobre quais lições podemos levar para os próximos 12 meses. Assim como 2020, 2021 se mostrou um ano desafiador, ainda enfrentamos a pandemia de Covid-19, convivemos com o fantasma da inflação que retorna para nos assombrar, com a taxa de desemprego nas alturas, com os problemas climáticos que afetam a vida de todos e tantas outras questões. Foram muitos tropeços, mas apesar de tudo, também tivemos alguns avanços. 

Assim, como o período de 1980 ficou conhecido como a década perdida, época em que o Brasil e nossos vizinhos enfrentavam uma grave crise financeira, esses dois últimos anos já podem ser considerados uma versão desse período, mas torcemos que não se estenda por dez anos.

Começamos 2021 com a esperança que seria um ano melhor e mais próspero que seu antecessor. No entanto, a expectativa, sempre fica aquém da realidade. Não podemos menosprezar que houve avanços, como a ampliação da vacinação, hoje, temos 60% de nossa população completamente imunizada, número que nos coloca à frente da vacinação dos Estados Unidos, onde, de acordo com a plataforma Our World in Data, desenvolvida pela Universidade de Oxford, 58% dos americanos estão com as duas doses ou dose única. 

A vacinação ampla da população era uma das lutas não apenas da indústria e dos setores econômicos, mas dos brasileiros, que sabem da importância da imunização. O reflexo disso já pode ser visto, com as pessoas voltando para o trabalho presencial, frequentando o comércio, cinemas e parques. Aos poucos, as coisas vão voltando, mas não podemos baixar a guarda, países europeus, como a Alemanha e Holanda tem enfrentado uma nova onda de contaminação, o que mostra que o perigo ainda não passou. 

O que a pandemia de Covid-19 fez foi agravar e intensificar situações que vinham se desenhando. Atualmente, mais de 14 milhões de pessoas estão desempregadas, e parte dessa população vive em extrema pobreza. De acordo com a Escala Brasileira de Segurança Alimentar, medida que foi utilizada pela Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, promovido entre 2017/2018, cerca de 85 milhões de brasileiros apresentavam algum nível de insegurança alimentar, deste total, 10,3 milhões passavam fome. 

Já em 2020, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional realizou o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. O resultado foi que 116 milhões pessoas conviviam com algum grau de insegurança alimentar, sendo que 43,3 milhões não tinham alimentos suficientes e 19 milhões passavam fome. Para efeito de comparação, é como se mais de toda a população do estado do Rio de Janeiro, o terceiro mais populoso do Brasil, não tivesse o que comer. Nosso vizinho tem 17,4 milhões de pessoas.  

O retrato dessa situação pode ser resumido em cenas desumanas como a fila de ossos e a busca por comida em caminhões de lixo. A perda de renda, o desemprego e o endividamento das famílias são enfrentados pelos brasileiros desde a crise econômica de meados de 2010.

Tudo isso, foi somado a mais um fator, a inflação que tem corroído os salários e feito com que os brasileiros tenham que cada vez mais levar menos alimentos para casa. Isso também vale para outros itens de primeira necessidade, como energia elétrica, gás de cozinha e gasolina. 

Sabemos que o caminho para sair dessa crise não será fácil, não é uma estrada reta, teremos muitos altos e baixos, mas a indústria está preparada para avançar. Somos responsáveis por 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, geramos mais de 10 milhões de empregos e estamos fazendo diversos investimentos, especialmente, em inovação e modernização. 

Uma das boas notícias deste ano, foi o leilão da tecnologia 5G, que vai aumentar a competitividade da indústria nacional. O sistema é fundamental para reforçar, estimular e aprimorar a Indústria 4.0. No caso da internet das coisas, que conecta vários dispositivos e sistemas, será possível personalizar produtos, gerir melhor os estoques, reduzir os desperdícios e com isso, minimizar os custos de produção. No entanto, para a implantação do 5G, esbarramos mais uma vez na burocracia, é preciso modernizar as leis para instalação das antenas e desburocratizar os processos para instalação dos equipamentos.  

Ainda temos mais algumas semanas para que 2021 chegue ao fim e entre para a história como um dos anos mais difíceis já enfrentados pelos brasileiros. Resta saber como esse período será encarado, esperamos e faremos com que seja um lembrete para que os aspectos negativos não voltem a se repetir no futuro.

José Francisco Caseiro é diretor do Ciesp do Alto Tietê

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