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ARTIGO

A política do vale tudo

"Tudo é uma grande conveniência pelo poder, não existindo fidelidade às ideias defendidas, de maneira que, no final, todos são farinha do mesmo saco"

Diego CapuaPublicado em 06/01/2022 às 07:26Atualizado há 19 dias

Você sabe o porquê a política no Brasil, às vezes, ser tão contestada? Simples, basta ver a esdrúxula paquera entre Lula e Geraldo Alckmin, figuras essas que já estiveram em lados opostos da política, disputaram de forma ferrenha algumas eleições e trocaram críticas duras, porém, no fatídico ano de 2021, ensaiaram a composição de uma chapa para disputar o pleito à Presidência nas eleições deste ano.

Neste caso, o problema não é o fato de dois políticos que já disputaram entre si buscarem unirem em uma chapa, pois isso é corriqueiro aqui e no mundo, entretanto, era quase impossível se imaginar uma união dessas figuras, pois cada um se apresentava como o posto ao outro, com ideologias totalmente incompatíveis e ainda mais, com um deles criticando com veemência as condutas criminosas perpetradas pelo outro.

É por situações como estas que o brasileiro fica descrente com a política, pois ele passa a ver que tudo é uma grande conveniência pelo poder, não existindo fidelidade às ideias defendidas, de maneira que, no final, todos são farinha do mesmo saco.

Na realidade, ações como esta, apenas demonstram que esses políticos são pessoas as quais devemos tomar cuidado e, considerando que eles se aliam a qualquer um apenas com o objetivo de garantir a ascensão ao poder, você que algum dia acreditou em qualquer um deles, pense bem na hora de dar o seu voto a partir de agora, pois esse comportamento apenas demonstra que as palavras e ideais defendidos por esse político poderão mudar em conformidade com a conveniência, interesses pessoais e de seu grupo.

Com isso, então quero dizer que isso justificaria uma divisão do país, em ideologias? Claro que não. Partidos e políticos precisam ter ideologias e comportamentos definidos, pois é nisso que aplicamos nossa confiança. Alguns defendem mais liberdade de mercado, outros preferem um Estado intervencionista, outros seguem tendências mais neutras, dentre tantas correntes existentes e todas merecem nosso respeito, porém, não é confiável alguém que não pensa duas vezes em abandonar o que sempre defendeu, apenas para supostamente garantir uma eleição.

Precisamos de políticos que sejam coesos e que tenham uma linha definida de atuação, sendo que não podemos mais tolerar políticos que de tanto nadam conforme a maré, acabam por deixar o país a deriva, perdido em um mar de dívidas, corrupção, obras inacabadas e economicamente falidos.

Por isso repito. Jamais tenham políticos de estimação. Não tenham medo de defender o país e o pleno desenvolvimento de nossa sociedade, não tendo medo de criticar mesmo aquele que recebeu o seu voto. Enquanto não colocarmos os interesses do país a frente dos políticos de estimação, jamais seremos uma sociedade com futuro.

Diego Cápua é advogado

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