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ARTIGO

A indústria vítima de crimes

'Para 84% das empresas, o sistema de justiça criminal é pouco ou nada eficiente. As penas, quando aplicadas, dificilmente são cumpridas na íntegra'

José Francisco Caseiro
14/01/2023 às 08:04.
Atualizado em 14/01/2023 às 08:32

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A indústria vítima de crimes

'Para 84% das empresas, o sistema de justiça criminal é pouco ou nada eficiente. As penas, quando aplicadas, dificilmente são cumpridas na íntegra'

José Francisco Caseiro
14/01/2023 às 08:04.
Atualizado em 14/01/2023 às 08:32

Cinco em cada 10 indústrias brasileiras foram vítimas de crimes em 2022. Os dados da Pesquisa de Vitimização da Indústria realizada pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (FIESP) evidenciam o problema de segurança pública do País. Além dos casos de furtos e roubos, o levantamento incluiu os ataques cibernéticos, que vitimaram cerca de 15% dos negócios, especialmente, as micro e médias empresas.

Desde o último estudo, em 2017, houve uma alta de 5,4% no número de indústrias afetadas, chegando a 56,4%. Entre os principais crimes estão os roubos e furtos, em especial para abastecer os mercados ilícitos de cobre (27%), de matérias-primas (21%) e produto pronto (13%). Já entre os crimes virtuais, os mais citados são os golpes pela Internet, telefone ou equipamentos eletrônicos, sequestro de dados e golpes do PIX.

A lista conta ainda com os problemas gerados pela concorrência ilegal de produtos falsificados ou pirateados. Entre 2017 e 2022, a indústria deixou de gerar 148.205 empregos formais e o Governo Federal perdeu R$ 28,55 bilhões em arrecadação.
Mais que os prejuízos financeiros diretos para as empresas, os crimes impactam a cadeia produtiva e afetam toda a população. Eles geram aumento de custo da produção, redução nos investimentos - já que os valores tem que ser direcionados para cobrir os danos - o que resulta em menos contratação, modernização e ampliação dos negócios. Todos perdem.

A pergunta que fica é: por que esses crimes continuam a avançar? A resposta está na percepção colhida pela própria pesquisa. Para 84% das empresas, o sistema de justiça criminal é pouco ou nada eficiente. 

Ou seja, as penas – quando aplicadas – dificilmente são cumpridas na íntegra e estimulam a continuidade dos crimes ou novos ataques.
Além de uma ação mais efetiva por parte das forças de segurança com o objetivo de desmobilizar os grupos e ações criminosas, a Justiça precisa endurecer as penas para desestimular os crimes. 

Isso também vale para os atos de vandalismo que atingiram 5,3% das empresas em 2022, e como vimos nas cenas lamentáveis do último domingo, em Brasília, avançam  pelo País também neste novo ano, muito em razão de condenações brandas. Tomara que os episódios recentes sirvam para que os novos governos enxerguem a segurança, nas suas mais variadas vertentes, como uma condição intrínseca ao desenvolvimento.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê

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