Fenômenos mundiais extraordinários, as pandemias são objeto de estudo de longo prazo por razões que começam pela urgência de se concentrar os esforços e descobrir os meios de domar o vírus e salvar vidas. 

As pestes que mudaram cursos da humanidade repetem situações há séculos: a queda de braço entre cientistas e negacionistas, o uso político por parte dos governantes da vez e a divulgação e criação de muitas receitas, rezas, remédios e modos de tratar ou curar a doença. Na atualidade, a moléstia que paralisou o mundo fez a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificar outro polêmico e inflamável ingrediente durante o enfrentamento desta crise: a infodemia, o excesso de informações veríficas ou não e rapidamente dispersas pelas redes sociais, sem qualquer filtro amparado no bom senso e razoabilidade.

Por isso, a Covid-19 foi tratada perversa e irresponsavelmente  como uma “gripezinha” pelo presidente Jair Bolsonaro. Por isso, muitas pessoas se valeram e ainda se valem de soluções ineficazes (vinagre, limão, etc.).

Lembramos isso para propor uma reflexão sobre a importância de se melhor acompanhar os primeiros registros oficiais sobre o impacto na tábua da mortalidade após o surgimento do novo coronavírus. E, mais do que isso, de se valer do já se conhece ser útil para reduzir o contágio (isolamento, uso de máscara, não aglomeração).

Desde 2002, Mogi das Cruzesnão registrava um número tão alto de mortes. Segundo o  Portal da Transparência, plataforma administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), 4.573 morreram na cidade, um número 21,6% superior ao registrado em 2019. A média anual de falecimentos era de 4,8%. 

Outros dados confirmam a excepcionalidade da crise sanitária e dizem respeito ao aumento das mortes por  doenças respiratórias (23,5%), Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) (600%) e causas indeterminadas (18,1%).

Há de se entender melhor o que elevou as mortes. Porém, o que já se conhece é: a Covid seguirá como  uma gravíssima doença - como foi a gripe espanhola, há mais de 100 anos -, até que a ciência descobrir como conter o Influenza e detectar suas variantes. Uma luta sanitária que não terminou, como tão bem sabemos.