EDITORIAL

O tempo, senhor da razão

Em carta a este jornal, o presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Pedro Moro, se posiciona sobre a concessão e reconstrução das estações ferroviárias de Mogi das Cruzes.

A fala do presidente confirma o compromisso de não deixar de fora dos planos de modernização na cidade, o terminal de Braz Cubas. Segundo ele, e estação não foi excluída da licitação, em andamento, para os terminais Jundiapeba, Mogi das Cruzes e Estudantes, porque ela terá um projeto exclusivo. Para isso, o argumento são as características e a localização do prédio do distrito.

“Inserir Braz Cubas no projeto de concessão das outras três estações do município seria uma atitude irresponsável por parte da CPTM, que vê em Braz Cubas características distintas das demais e que precisam ser incluídas com atenção neste futuro projeto, em benefício de quem, para nós, mais importa: o passageiro”, defende Pedro Moro.

Em momento algum, este jornal disse que Braz Cubas não seria atendida. A nossa grande interrogação, não respondida pelo presidente, é saber quando isso acontecerá.

A equiparação das estações de trem de Mogi das Cruzes ao modelo de todos os pontos de parada da linha 11-Coral é uma das mais antigas bandeiras deste jornal e do município.

Desde o início da década passada, quando começaram a ser construídas as estações de Ferraz de Vasconcelos e de Suzano (essa última, entregue pela metade, em 2016), a reforma do conjunto mogiano é postergada pela estatal que, no mês passado, atendeu mais de meio milhão de passageiros nas catracas mogianas.

A discussão sobre a melhoria desse mobiliário é tão antiga que projetos iniciais caducaram.

A espera pelas estações vai completar uma década, se nos posicionarmos desde os investimentos nas cidades vizinhas.

Quando se acompanha a divisão desse projeto, uma representação que nos vem à mente as repetidas cobranças políticas e populares acompanhadas pelas diferentes gerações de jornalistas que passaram por esta casa é a do gato escaldado que tem medo de água fria.

Um bom presságio, no entanto, surge com a rapidez com que o presidente Pedro Moro demonstrou ao responder ao jornal. O que nos faz dar um voto de confiança ao presidente.

O tempo irá nos dizer se a separação desse bloco de estações não implicará em mais espera pelo atendimento de um pleito que dedica aos passageiros de Mogi das Cruzes o derradeiro patamar nos planos da CPTM.

E, olha, que estamos falando em mais de meio milhão de pessoas que usaram o transporte ferroviário, em julho, diante da pandemia e das restrições de atividades sociais e econômicas – e, em sua maioria, eleitores.


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