EDITORIAL

O comércio do futuro

Resultados da pesquisa feita pela Associação Comercial de Mogi das Cruzes apontam caminhos que poderão auxiliar um forte setor para a geração de riquezas para a cidade e de postos de trabalho formais.

Algumas das respostas reforçam a aceleração das mudanças das vendas feitas pelo e-commerce e a entrega dos produtos na casa dos consumidores desde o início da pandemia, em março. A maioria dos lojistas da cidade, 69,5% afirma que pretende manter o sistema de delivery. O modelo não aplaca os prejuízos financeiros, porém, certeza que reduziu o fechamento de endereços comerciais.

Já sobre as vendas em canais virtuais, a pandemia impôs mudança bastante radical porque muitos dos comerciantes tradicionais estavam fora desse nicho de vendas – diferente dos conglomerados de setores como o de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Segundo o levantamento da ACMC, 84,1% entre os que não atuavam com essa alternativa de vendas, pretendem manter as plataformas ativas após a crise sanitária. A menor parte dos ouvidos, 15,9%, afirma que não pretende aderir ao e-commerce mesmo após o fim do pesadelo lançado ao mundo pelo novo coronavírus.

A tendência de aceleração desses novos meios de fazer negócios caminha para seguir o mesmo que se vê em outros setores produtivos e de prestação de serviços. Isso exigirá investimentos específicos nos nichos que se abrirão e criarão, inclusive, novas profissões. De áreas que vão de TI ao de entregas aos consumidores, setores aquecidos pela pandemia.

Tudo isso vai requerer mão de obra especializada. As cidades terão de se estruturar para navegar com mais conforto durante a reativação da economia. Empregos surgirão, mas e os profissionais para estes postos?

Apesar de mirar o futuro, forçoso olhar para o agora: nada muda sensivelmente, nesse quadro, antes da descoberta de uma vacina segura e de o país conseguir fazer a imunização em massa.

A pesquisa da ACMC retrata perspectivas que alentam, de um lado, mas impõem cautela. Enquanto a maioria dos comerciantes atesta resultados positivos após a retomada das vendas físicas (57,5%), apenas uma minoria (32,6%) prevê que voltará a contratar.

Ou seja, a maioria continuará com quadros enxutos de profissionais, o que revela o desafio na acomodação do mercado de empregos no comércio nos próximos meses.


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