EDITORIAL

O avanço das queimadas

Mogi das Cruzes observa o avanço das queimadas em imóveis vazios e áreas de preservação ambiental, caso do Brejinho de César de Souza, Serra do Itapeti e a região ribeirinha do rio Tietê. A fuligem, vídeos e fotografias das labaredas e o horizonte azulado pela fumaça causam preocupação e queixas. Só reclamar, não adianta. Vimos esse mesmo filme na temporada passada do fogo em mata.

Qual é a diferença entre a destruição de 270 mil metros do Brejinho de César e dos milhares de hectares de terra para o plantio e de mata, banidos pelo fogo no Pantanal e na Amazônia? A proporção.

Lá, como aqui, estamos diante de crimes ambientais de difícil combate. Não há como blindar os efeitos de uma queimada em um imóvel em uma cidade, estado ou país. A natureza é um sistema integrado. Queimada em um ponto, provoca chuva ácida em outro lugar.

Essa mesma regra vale para outro problema conhecido – a proliferação de insetos, como os pernilongos e de doenças provocadas por algumas espécies deles.

A devastação dos recursos naturais, a não recomposição das árvores perdidas para o cimento, os lixões e etc. desequilibram o clima, a cadeia alimentar.

No combate aos insetos, inclusive o pior deles, o Aedes aegypti, o “fumacê” dá resultado hoje, mas se trata de um aliado na manutenção desse problema. Na procriação dessas espécies, elas se tornam ainda mais resistentes ao veneno. Combate-se o efeito, e não a causa (o lixo destampado, o desmatamento, enfim).

O mesmo vale para as queimadas. Não adianta apenas instrumentalizar o Corpo de Bombeiros para combater o efeito.

Falta ao cidadão, fazer uma escolha política na defesa da natureza. Se dependermos dos políticos, esse complexo sistema não será corrigido.

Em nossa edição de domingo, o biólogo e mestre em Ecologia e Conservação e Manejo da Vida Silvestre, Pedro Tamasulo, defendeu a educação ambiental, por meio de “atitudes singelas, mas com grande poder de transformação”. O homem precisa mudar.

Temos planos, como o da Mata Atlântica, que propõem corredores verdes entre as serras e o solo urbano. Mas isso levará tempo, recursos financeiros, determinação política do gestor público e da sociedade.

No papel, a cidade é verde. Na realidade, ela sofre com as chamas, o crescimento dos lixões, a bituca do cigarro jogada no mato seco, a falta de arborização na maioria dos bairros e praças…


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