O Alto Tietê cresce

O crescimento populacional regional segue à frente da média nacional, estimada em 0,77% neste ano. As cidades do Alto Tietê ganharam 1,08% a mais de moradores, passando de 1,65 milhão de habitantes para 1,67 milhão entre 2019 e 2020. Houve um leve recuo na expansão desse bloco com o anterior, de 1,1%, segundo a estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nada que esfrie as expectativas sobre o adensamento urbano das áreas desocupadas e nem tire do foco os riscos de a região inchar, sem promover um crescimento sustentável.

Vigora a forte pressão urbana exercida sobre a região pela proximidade com São Paulo, e a existência, em algumas cidades, de grandes áreas de terrenos sem construções ou passando por mudanças na forma de uso e ocupação – caso das regiões centrais das cidades, que perdem prédios antigos para a verticalização.

Mogi das Cruzes ficou no mesmo patamar nos últimos dois anos, com 1,1% de aumento habitacional, e vive uma desaceleração em relação a 2018, quando essa taxa ficou em 1,6%, segundo o IBGE. O município caminha para o grupo de cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes.

Considerar o ritmo da ocupação é caminho para as cidades amenizarem a perda da qualidade de vida. A economia tem direto impacto na arrecadação e na distribuição dos serviços públicos, além, óbvio, de bons gestores públicos.

Menos impostos recebidos, menos fôlego para dar conta da demanda mais sentida pelas classes C, D e E porque, em períodos de recessão, como registrado na última década, passa a faltar saúde, educação, emprego, mobilidade e segurança pública.

Mesmo com leis restritivas e fiscalizações às ocupações irregulares ou nascidas sem a infraestrutura de água, esgoto e asfalto, as cidades têm dinâmica própria. Em Mogi das Cruzes, gráficos e nem especialistas em urbanismo são necessários para explicar os efeitos do crescimento dissociado do planejamento. Basta ver o nosso trânsito, a fila por uma consulta ou leito em uma maternidade, a falta de saneamento básico em algumas regiões.

Sobretudo no passado recente, a unidade administrativa e política regional tem sido duramente golpeada por crimes como a corrupção e o enriquecimento Ilícito praticados por grupos criminosos. Situação que precisa ser combatida pela gestão responsável e a fiscalização do cidadão sobre os gastos públicos. Cidades da região têm pecado nesse item.

Mais do que uma competição para saber quem cresceu mais, a estimativa populacional serve de parâmetro para se estabelecer o que as cidades planejam “ser” e “ter”.


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