ARTIGO

O alerta dos 211 milhões

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

Enquanto a população cresce 0,77% no intervalo de um ano, a participação do Brasil na produção industrial mundial cai 1,19%. O País, que até 2014 figurava entre os 10 maiores do globo, agora ocupa a 16ª colocação. Perdemos espaço nos últimos anos para México, Indonésia, Rússia, Taiwan, Turquia e Espanha.

Essa perda de relevância no cenário global é mais um alerta de que o Brasil não pode continuar adiando as reformas e investimentos necessários para tirar a economia nacional do fundo do poço e permitir a maior competitividade dos setores produtivos. Principalmente no contexto pós-pandemia.

Ter um crescimento anual de 0,77% da população, enquanto o desemprego avança 1% a cada trimestre é muito preocupante. Somos 211 milhões de habitantes, dos quais 13% estão sem trabalho.

A indústria tem um lugar fundamental na inversão dessa curva do desemprego. A recuperação do setor, com o aumento da sua participação na produção mundial, significa investimentos, abertura de postos de trabalho e geração de receitas. A regra ainda permanece: para cada emprego direto, pelo menos dois indiretos são criados e o setor industrial continua com os melhores salários.

O fato de o Brasil acumular retrações seguidas no PIB da indústria ao mesmo tempo em que a produção mundial se mantém em crescimento, deixa claro que estamos no caminho errado há tempos e a pandemia de Covid-19 agravou o que já estava ruim.

Agora, é preciso um coquetel de remédios com efeitos em várias frentes para a recuperação da saúde das empresas e a criação de empregos. E isso é para ontem!

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê


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