MENU
BUSCAR
MEMÓRIA

"Viveu intensamente seu século", personalidades repercutem morte de Miled Andere

Confira a repercussão da morte do ex-combatente na Associação dos Expedicionários Mogianos e voluntário que atuou nas barracas da quermesse do Divino e organização do evento católico

O DiárioPublicado em 16/01/2021 às 19:16Atualizado em 16/01/2021 às 11:54
Arquivo / O Diário
Arquivo / O Diário

Um dos últimos expedicionários mogianos, Miled Cury Andere foi um dos principais defensores do legado e memória dos integrantes da Força Expedicionária do Brasil, a FEB. Ele faleceu aos 100 anos, na tarde desta sexta-feira (15).

LEIA TAMBÉM: Miled Cury Andere contou suas histórias na 2ª Guerra a O Diário

Foi um dos participantes da fundação da Associação dos Expedicionários Mogianos, entidade responsável pela preservação da memória dos combatentes que foram à Itália, na Segunda Guerra, e por uma ação social dedicada, entre outras coisas, a promover a saúde e a assistência social esse grupo de Mogi das Cruzes e região, estimado em 400 homens, que lutaram nos campos da batalha e foram desligados da FEB antes mesmo de chegarem ao Brasil, após o fim do conflito.

Há muitas falhas na documentação e registros da história da FEB em Mogi das Cruzes. E Miled, professor de história, tentou catalogar e encontrar, durante a vida, os nomes de todos os integrantes. Era fonte de pesquisa e de articulação política para defender essa causa. Viu da criação e o engrandecimento da Associação dos Expedicionários Mogianos, com sede na rua Coronel Souza Franco, à fragmentação dessa entidade, que ainda resiste, de alguma forma, no Centro e Cultura e Memória Expedicionário Mogiano. O problema é que esse museu existe mais no papel, do que de fato.

O Diário reuniu algumas repercussões sobre a morte de Miled. Confira:

Um devoto do Divino

O presidente da Associação da Festa do Divino Espirito Santo, José Carlos Nunes Júnior, lamentou a morte de um dos ex-fundadores da entidade. “Os pais do Miled foram voluntários da Festa e ele prosseguiu com a atuação como um devoto que se tornou referência para todos nós. Era integrante do Conselho Fiscal e, nas reuniões, quando havia alguma discussão, ele ouvia e depois pedia a palavra, e vinha com uma solução. Ele é referência de voluntário, de amor e de dignidade com a Festa do Divino”.

Festeiro e soldado

Professor de História, Glauco Ricieli, afirma que Miled Cury Andere deixa um legado na Festa do Divno, na educação – foi um dos primeiros professores da escola “Presidente Vargas) – e na história brasileira. “Era um dos últimos expedicionários que, com muita lucidez, falava sobre o conflito e o que viveram os combatentes”. Ricielle também ressaltou a participação dele na Festa do Divino. “Era um dos responsáveis pela barraca do doce e salgado, doava tempo e até mesmo ingredientes, como o amendoim torrado.Ele enchia os potinhos de doces, que eram depois, vendido. Foi um voluntário dedicado”.

 Frente Popular

A Frente Popular Pela Cultura de Mogi das Cruzes divulgou a seguinte nota, lamentando o falecimento do mogiano e ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, Miled Cury Andere, que morreu na tarde desta sexta-feira, em sua residência, no bairro do Shangai: “Nossos sinceros sentimentos à família e amigos. Estamos vivendo uma situação impar no Brasil e no mundo, com discurso de ódio, em que precisamos, cada vez mais, nos lembramos da história para não repeti-la. Sr. Miled foi um dos pracinhas brasileiros que lutou na segunda Guerra contra aquele momento marcado por incontáveis ataques a civis, incluindo o Holocausto”.

 Querido tio

O desenhista Mauricio de Sousa também lamentou a morte de Miled, de quem era sobrinho. "Meu querido tio Miled Cury Andere, educador, expedicionário na Segunda Guerra, escritor, com 100 anos completados no último dia de Natal. Comandava festas religiosas, preparava doces e cantava canções italianas em eventos mogianos. Viveu intensamente seu século. Deixa numerosa família dedicada à educação. Foi meu elo com a comunidade sírio-libanesa. Descanse em paz, tio Miled", declarou. 

Nas redes sociais

A jornalista Jamile Santana disse: “todo jornalista de Mogi das Cruzes já entrevistou em algum momento o seu Miled. Viveu até os 100 anos com plena lucidez. Sua doçura ao nos contas boas histórias deixará saudades!".

Já o jornalista Dorival Martins, afirmou: "Que a história seja registrada, para que as futuras gerações com esta possam conhecer seu passado, contemplar seu presente e assim traçar seu futuro. Descanse em paz senhor Miled Cury Andere".

  

ÚLTIMAS DE Notícias