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OPOSTOS

Reunião mostra harmonia, diz ministro; Bolsonaro discorda

Logo após o ministro e presidentes da Câmara e Congresso enaltecerem primeira reunião do comitê, presidente critica ideia de lockdown e isolamento social

Agência Estado
31/03/2021 às 16:57.
Atualizado em 31/03/2021 às 17:26

Bolsonaro não gostou nem um pouco da primeira reunião do comitê formado por representantes dos três Poderes e criticou práticas de lockdown e isolamento social (Divulgação)

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Reunião mostra harmonia, diz ministro; Bolsonaro discorda

Logo após o ministro e presidentes da Câmara e Congresso enaltecerem primeira reunião do comitê, presidente critica ideia de lockdown e isolamento social

Agência Estado
31/03/2021 às 16:57.
Atualizado em 31/03/2021 às 17:26

Bolsonaro não gostou nem um pouco da primeira reunião do comitê formado por representantes dos três Poderes e criticou práticas de lockdown e isolamento social (Divulgação)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, classificou a primeira reunião do comitê formado por representantes dos três Poderes para o enfrentamento da pandemia da Covid-19 como a "materialização da harmonia entre os três poderes". Ele disse que recebeu com "satisfação" as propostas apresentadas pelos parlamentares para o combate à pandemia no País. O presidente Bolsonaro, entretanto, não gostou nem um pouco da reunião e criticou práticas de lockdown e isolamento social.

Além de ressaltar a importância do suporte do Poder Legislativo para criar medidas de combate a pandemia, como a ampliação da participação do setor privado na compra de imunizantes e a criação de mais leitos privados, que, segundo o ministro, "estão na iminência de aprovação", Queiroga destacou que o compromisso do Ministério da Saúde é com projetos que ajudem com a redução de óbitos e casos que "pressionam sistema de saúde". Segundo ele, o foco da pasta é com "práticas científicas sólidas que possam trazer melhorias nos dados que estamos obtendo até de mortalidade". Para o ministro, o sistema de saúde é a principal ferramenta para devolver a normalidade ao País.

Ao lado dos presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Queiroga também afirmou que a campanha de vacinação "ampla e ágil" é o "passaporte" para o fim da pandemia. Segundo Queiroga, em abril o País deve ter um aporte maior da vacina Oxford/AstraZeneca, além de ter "outras vacinas em curso" como a Pfizer e a Janssen. 

O chefe da Saúde também contou ter tido reuniões "produtivas" ontem com o embaixador norte-americano, Todd Chapman, e com o infectologista Anthony Fauci, referência nos EUA. "Essas reuniões que podemos avançar muito nas relações internacionais que possam resultar em suprimentos de insumos seja vacinas seja outros insumos", destacou. Queiroga disse ainda que o Ministério acompanha a evolução de estoques de medicamentos da indústria farmacêutica e o suprimento de oxigênio.

"Estamos em tratativas com a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e com o próprio governo americano para buscar esses produtos e rapidamente estabelecer estoques reguladores que tirem a gente dessa situação de ter que resolver as coisas a cada dia como tem sido feito. Essas tratativas estão adiantadas, o mesmo ocorre em relação ao oxigênio", afirmou.

'Medidas extremas'

Marcelo Queiroga afirmou ainda que "medidas extremas" de combate à pandemia da Covid-19 têm dificuldade de adesão da sociedade. Por isso, ele fez um apelo para que a população utilize máscaras de proteção e mantenha o distanciamento social entre as pessoas, principalmente neste feriado de Páscoa. 

"As pessoas devem observar o uso de máscaras, o uso é importante, é fundamental. Devem guardar o distanciamento entre si para que essa doença não se transmita na velocidade que vem se transmitindo", afirmou em fala à imprensa, no Palácio do Planalto, após a primeira reunião do comitê dos três Poderes sobre o enfrentamento da crise sanitária. "Medidas extremas nunca são bem-vistas pela sociedade brasileira e elas tem dificuldade de adesão da sociedade. Então, vamos fazer cada um a nossa parte", disse.

Com um mais de um ano de pandemia no País, Queiroga afirmou que o ministério da Saúde tem discutido com a pasta da Infraestrutura políticas que evitem o contágio no transporte público. "Estamos discutindo com o Ministério da Infraestrutura a adoção de políticas nos transportes públicos que possam resultar em um menor potencial de contaminação das pessoas", comentou. 

O ministro ressaltou ainda que o compromisso do ministério são "práticas científicas sólidas" e reiterou que a pasta terá uma secretaria específica para tratar da pandemia. "O Ministério da Saúde está instalando uma Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19. Nós teremos os principais especialistas do Brasil conosco, das sociedades científicas , os consultores do Ministério da Saúde", disse.

Bolsonaro

Ao fim da primeira reunião do comitê de crise, criado para avançar nas medidas definidas pelos Três Poderes contra a pandemia do coronavírus, ficou claro que Jair Bolsonaro (sem partido) mantém visão diferente dos demais membros do grupo. Menos de dez minutos depois de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforçarem a necessidade de uso da máscara e do distanciamento social, apelando para que isso fosse praticado no feriado da Semana Santa, o presidente falou na direção oposta, criticando a prática de lockdown e do isolamento

Ao reclamar das medidas mais restritivas adotadas por governadores e prefeitos, Bolsonaro afirmou que as pessoas querem voltar ao trabalho. "Não é ficando em casa que vamos solucionar esse problema", disse. "Essa política continua sendo adotada, mas o espírito dela era se preparar com leitos de UTI, respiradores, para que as pessoas não viessem a perder suas vidas por falta de atendimento", criticou Bolsonaro, num pronunciamento feito sem máscara - só colocou depois da fala e após ser alertado pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria.

O contraste de posições ficou mais nítido porque Bolsonaro acabou não participando da coletiva realizada pelos outros integrantes do Comitê de Crise, que falaram bastante alinhados. Na reunião entre os Poderes que definiu a criação do comitê, o presidente já tinha criticado a ação de governadores e de prefeitos que decidiram pela adoção do lockdown para tentar conter o avanço da doença. Agora, mais uma vez, disse que essas medidas impedem que as pessoas trabalhem e podem fazer com que passem fome. De novo, também usou a comparação dessas medidas com as de um estado de sítio.

Sem a presença do presidente, os integrantes do Comitê de Crise pareceram antever a trombada que iria acontecer. E defenderam que era importante um alinhamento na estratégia de comunicação social, justamente para garantir uma atuação uniforme na divulgação das informações necessárias para a população no combate da pandemia.

"É muito importante a comunicação. Que haja um alinhamento da comunicação social do governo, da assessoria de imprensa da Presidência da República, no sentido de haver uma uniformização do discurso", disse Rodrigo Pacheco. "Que é necessário se vacinar, usar máscara, higienizar as mãos. Que é necessário o distanciamento social de modo a prevenirmos o aumento da doença no nosso País", afirmou.

Já sabendo da posição de Bolsonaro, Queiroga usou jogo de cintura para não bater totalmente de frente com ele. O ministro admitiu que há dificuldade da população para seguir medidas extremas. Por isso, reforçou a defesa do distanciamento, do uso de máscaras e que cada um faça sua parte já na Semana Santa.

"No feriado, não pode haver aglomerações desnecessárias. É importante usar máscara, manter o isolamento. É importante fazer isso. Medidas extremas não são desejadas. Então vamos fazer isso", ponderou.

Mesmo sem conseguir o alinhamento do presidente, o Comitê de Crise vai tentar avançar em outros gargalos para frear a expansão da pandemia. Queiroga afirmou que vai discutir com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, medidas relativas aos transportes urbanos. Hoje, a proximidade entre esses passageiros, que precisam se deslocar diariamente para suas atividades, é vista como ponto de risco na transmissão do vírus.

Arthur Lira e Rodrigo Pacheco aproveitaram a reunião para defender a atuação mais intensa da iniciativa privada no combate à pandemia e também para a compra de vacinas. "É importante que se comece um amplo diálogo, um debate que permita que empresas possam adquirir vacinas para seus funcionários, mesmo com o repasse obrigatório para o SUS. Cada brasileiro vacinado é um a menos que possa contrair o vírus", defendeu.

Lira insistiu que a ampliação da vacinação e a garantia de que haverá mais leitos de UTI e medicamentos segue sendo prioridade. "O nosso problema é vacinar e esse é o nosso foco. A Câmara dos Deputados está discutindo soluções e votando projetos importantes para que se amplie a vacinação, leitos, insumos e toda a infraestrutura necessária no combate à pandemia", disse.

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