A perícia realizada nesta segunda-feira (22) na casa em que os três irmãos morreram carbonizados em Poá não conseguiu encontrar a chave e o miolo da porta do quarto em que os corpos foram encontrados. A expectativa do delegado Eliardo Jordão é de que o laudo fique pronto até esta sexta-feira.

O caso aconteceu na madrugada quarta-feira (17). Fernanda, de 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, morreram no incêndio que atingiu a casa em que estavam com o pai Ricardo Reis de Faria e Vieira. O delegado verificou contradições no depoimento de Ricardo e ele foi preso temporariamente por 30 dias. A defesa considerou que a prisão temporária foi "um pouco temerária e afastada do contexto provatório".

Durante a perícia, todo o material queimado foi recolhido da casa e levado para o chão do quintal, onde foi minuciosamente avaliado por um perito. “Foi realizado um pente-fino mesmo. Mesmo que tudo tenha sido queimado, se a chave estivesse lá ela seria encontrada. O que chamou a nossa atenção também foi o fato de ter uma porta entre o closet e o banheiro do quarto dos irmãos e ela também estava trancada”, conta. 

Devido à gravidade do incêndio, também não foi possível encontrar o medicamento que Ricardo disse ter tomado para dormir na noite do incêndio. 

Os peritos fizeram ainda toda a medição da casa a fim de apontar onde o fogo começou e por qual motivo: se criminoso ou acidental. O documento deverá ser juntado com o laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre a causa da morte das três vítimas e, assim, montar o quebra-cabeça do caso. Outras pessoas também devem ser ouvidas nesta semana.

O caso

Às 4h57 da última quarta-feira, o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um incêndio em uma residência na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, em Poá. As vítimas eram Fernanda, 14 anos, Gabriel, 9, e Lorenzo, 2, adotados anos atrás por Ricardo e Leandro José Reis de Faria e Vieira.

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Os dois haviam se separado e mantinham guarda compartilhada. Os filhos estavam na casa de Ricardo quando o fogo começou.

Para a operação foram enviadas oito viaturas dos Bombeiros, além de uma do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O delegado Jordão explicou que Ricardo estava dormindo em sua casa, na rua Fernando Pinheiro Franco, na Vila Real, quando acordou por conta da fumaça. Em depoimento, ele contou que tentou ir até o quarto onde as crianças dormiam, mas não conseguiu entrar. Por isso, foi à unidade da Polícia Civil para pedir ajuda.

Ao chegarem à residência, os policiais arrombaram a porta, mas também não conseguiram entrar por conta do fogo. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados e ajudaram na localização dos três corpos.

O corpo de Fernanda foi encontrado no banheiro. O irmão, Lorenzo, estava no centro do quarto das crianças. Já o corpo de Gabriel estava próximo a uma janela.

"O trabalho pericial está sendo feito. O Ricardo dá essa versão e a gente ainda está na pendência para confirmar alguns detalhes. Confirmando isso, ou não, a gente consegue dar uma prévia, algum direcionamento. Neste momento, a gente trabalha com todas as possibilidades, não descarta nada. Mas até agora, a suspeita não recai sobre ninguém", afirmou o delegado na manhã da quarta-feira.

De acordo com vizinhos, a família morava no imóvel havia cerca de sete meses.