O Plano Nacional de Educação prevê que até 2024, 50% das escolas públicas do país tenham o sistema de ensino em período integral, de modo a atender, no mínimo, 25% dos alunos da educação básica.

O professor e representante da subsede de Mogi das Cruzes do Sindicato do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Nabil Francisco de Moraes, e a ex-secretária municipal de Educação, Maria Geny Borges Ávila Horle, avaliam os prós e contras do Programa de Ensino Integrado (PEI) do Governo do Estado de São Paulo. Mogi das Cruzes terá mais três escolas inclusas no programa, conforme anúncio feito na última quinta-feira (5).

Para o professor Nabil, é preciso pensar na estrutura das escolas antes de aplicar o ensino integral. “A Apeoesp sempre defendeu uma escola pública de qualidade, com estrutura para atender a comunidade em período integral – com equipamentos e materiais pedagógicos adequados – porém, não é o que se constata na prática. Muitas vezes, o professor usa dinheiro do próprio bolso para comprar material de projetos, por exemplo. Faltam recursos”, relata o professor.

Já para a ex-secretária municipal de Educação, Maria Geny, a maioria dos educadores almeja escolas em período integral, mas ela também destaca que antes são necessários recursos. “Dependemos de recursos e infraestrutura para receber o aluno o dia todo, é claro. Necessitamos de um espaço maior, embora o modelo da cidade seja não utilizar apenas a sala de aula. De um modo geral, para que todas as escolas pudessem adotar esse sistema, dependeríamos de resolver duas questões: adequação de espaço físico e condições financeiras para oferecer a educação em período integral. Isso significa pagar mais professores, aumentar gastos com luz, água, merenda e transporte para atividades a serem desenvolvidas fora das escolas. Tudo depende dos recursos”, relata a ex-secretária.

Segundo o professor Nabil, o processo de transição das escolas regulares para o Programa de Ensino Integral está sendo realizado sem diálogo com a comunidade escolar. “A decisão de mudança de escola regular para a PEI precisa passar pelo conselho de pais, alunos, docentes, gestão e representantes da comunidade escolar; não de forma autoritária como está sendo feita”, explica.

O professor analisa também a carga horária do docente. “Mais papel para preenchimento dos conteúdos e relatos do andamento dos projetos, muitas vezes para se fazer em casa, uma vez que na escola não há tempo suficiente, já que os professores estarão nas ações pedagógicas. É mais trabalho a ser levado para casa”, afirna.

A ex-secretária de Educação avalia os benefícios aos estudantes. “A educação integral promove o desenvolvimento global do aluno. Dessa forma não se resume a aprender conteúdos, mas a desenvolver também habilidades, comportamentos e atitudes. Dessa maneira é um enriquecimento para o jovem e também para a comunidade. Ultimamente, a gente apenas se preocupa em fazer uma avaliação de quanto o aluno aprendeu em português e matemática, e agora ampliando para outras áreas do conhecimento. Mas, em pleno século XXI, todo desenvolvimento científico e tecnológico é importante para que haja algo além do aprender a ler e a escrever. Você passa a ver o mundo de uma forma diferente, passa a ver a criança na sua globalidade", avalia.

 Novas escolas do PEI

As escolas que passam a fazer parte do PEI são Prof. José Sanches Josende (Jardim Aeroporto III), Profª Sylvia Mafra Machado (Alto do Ipiranga) e Prof. Narciso Yague Guimarães (Vila Natal). Além das escolas Prof. Firmino Ladeira, Profª Irene Caporali de Souza, Profª Sueli Oliveira Silva Martins e Profª Adelaide Maria de Barros, que já faziam parte. 

 Ensino integral na rede municipal

Há 212 escolas da rede municipal em Mogi, sendo 141 integrais – 112 escolas são de educação infantil e 29 de ensino fundamental –, com 24.473 alunos desse sistema. Todas as escolas estão localizadas em bairros com maior vulnerabilidade social. Para a secretária municipal de Educação, Juliana Guedes, não se deve pensar apenas no horário quando o assunto é período integral, mas em grade curricular.

“Precisamos pensar num ensino no qual o aluno possa ser atendido em suas múltiplas necessidades. O objetivo da escola em período integral é fazer com que o aluno tenha contato com possibilidades no contraturno que em sua vida, no ensino regular, não teria. Do contrário não faz sentindo. Por exemplo, todas as nossas crianças hoje têm aulas de musicalização, acesso à informática, artes marciais, teatro, participam de oficinas de xadrez, robótica, ensino de idiomas. Trabalhamos no eixo cultural, intelectual e esportivo”, diz a secretária.