O presidente da Câmara pede a “proteção de Deus”, abre a sessão e logo convoca para a tribuna o vereador Zé da Mula. Ele mal inicia o discurso e é interrompido com um aparte de seu colega Anderson Cueca. A discussão começa a ganhar fôlego, quando entram em cena, subitamente, dois outros vereadores, Casquinha do Angaturama e Edson Oh Glória. O debate avançava a caminho das chamadas vias de fato, quando sofre a intervenção do vereador Van do Negavan, que consegue acalmar os ânimos já bastante exaltados.

Essa situação, fictícia é claro, poderá acontecer de verdade, na próxima legislatura, na Câmara Municipal de Santa Isabel, no Alto Tietê, envolvendo, pela ordem, os vereadores José Martins (PSD), Anderson Chagas (PL), Josias Mendes (DEM), Edson Fontes (PRTB) e Neurisvan de Azevedo (PDT), todos eleitos ou reeleitos no pleito do último domingo.

Em comum, todos eles têm os apelidos nada ortodoxos, pelos quais são conhecidos e que levaram para as urnas no pleito passado.

Segundo estabelecido pela Justiça Eleitoral, “o candidato deverá utilizar seu número e nome completo para concorrer às eleições. Poderá, caso queira, usar um apelido eleitoral – prenome, sobrenome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual é mais conhecido, desde que não cause dúvida quanto à sua identidade, não atente contra o pudor, nem seja ridículo ou irreverente”.

Pelo que se viu nas últimas eleições, parece ser muito difícil decidir entre o que atenta contra o pudor, ou seja ridículo e irreverente, por contra de algumas denominações escatológicas que viralizaram junto às redes sociais na última campanha.

No caso da região do Alto Tietê, não é só Santa Isabel que elegeu políticos pelos seus apelidos.

 Poá também elegeu Diogo Pernoca, o Diogo Reis (PTB); e também o engenheiro Pateta, ou Vinícius Bernardo (Rede).

Em Biritiba Mirim, a futura Câmara terá o motorista Marquinhos Tucaninho, ou Marcos de Almeida, que não pertence ao PSDB, partido dos tucanos, como pode parecer, mas ao Republicanos. É de lá também o Raposão, ou Leonardo Molina (PL).

E se o prefeito de Biritiba, Carlos Alberto Taino (PL), disputou a eleição como Inho, a Câmara de Ferraz de Vasconcelos terá o Inha (PODE), que se chama Flávio de Souza. Lá também estará o Teteco, ou Alexandre Silva (PSC); e o Dei (êpa!), ou Denerval Jardim, do PL; além do Fábio Wuhalla, de sobrenome Farias (PSL), possivelmente um fã do personagem de Golias na tevê, que costumava algo semelhante ao apelido como bordão em seus programas de humor.

Itaquaquecetuba elegeu para a Câmara o Dr. Edson da Paiol  (PODE); o Cantor Sidney Santos (PP), que poderá alegrar as sessões da Câmara com o seu ofício. Lá também estará Mário Charutinho (Mário Lúcio da Silva), do PODE, e que não é parente, nem de longe, de outro Charutinho, o José Carlos de Souza que foi candidato em Mogi, mas não se elegeu. Itaquá também tem o Mané Barranco (PP), que é Manoel Messias, o Diego Estilo Raro Cabeleireiro (Avante),  que não necessita de maiores explicações; além do Cowboy Edimar (Candido de Lima), do MDB.

E se para a Câmara de Suzano foi eleito Maizena, o Marcos Antonio dos Santos (PTB), em Guararema, o Legislativo terá o trio Tiu, e , respectivamente Claudinei Santos de Oliveira (PROS), o mis votado, com 880 votos, André Augusto de Oliveira (PSB) e Eduardo Aparecido Moreira Franco (PL), este último bem que poderia ter utilizado os dois últimos sobrenomes que remetem a um político famoso e que já foi até governador do Estado do Rio de Janeiro. Também de Guararema é Fatinha do Parque Agrinco, a Fátima Pereira de Souza (PROS).

Mas a Câmara de Mogi das Cruzes também não fica atrás em termos de apelidos pouco comuns. Exóticos até. Por Mogi, foi reeleito Francimário Vieira de Macedo, o Farofa, do PL, que, a partir do próximo ano, irá ganhar a companhia de John Ross, que se chama Johnross Jones Lima, um nome certamente nem um pouco comum na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, onde ele nasceu. Mas a Câmara terá ainda o Bi-Gêmeos, ou Milton Luís da Silva (PSD).  Seu apelido é explicado da seguinte forma por sua assessoria: “O irmão gêmeo dele se chama Nilton. E quando eram crianças eles não sabiam falar o nome um do outro e se chamavam por Bi e Du. Na cidade, os amigos os reconhecem como o Bi do Gêmeos e o irmão dele como o Du do Gêmeos. Na campanha passada era para o material ter saído como Bi do Gêmeos, porém o material veio errado e acabou ficando Bi Gêmeos mesmo”.