Após questionamento de O Diário, nesta terça-feira (23) o Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, no distrito de Jundiapeba, solicitou à Prefeitura de Mogi das Cruzes vacinação para os idosos internados no local, ex-portadores da hanseníase. A administração municipal enviará doses para que os enfermeiros do local façam a aplicação, mas ainda não há prazo para que isso aconteça.

O que deu início à investigação foi a denúncia do tradutor Rainer Hartmann, 63, a este jornal. “Além da parte hospitalar, há no Dr. Arnaldo uma espécie de asilo para abrigar o pessoal que antigamente foi interno lá. São pessoas com mais de 70 anos, que ainda não foram vacinadas”, diz ele, que é sobrinho de uma das mais idosas do local, de 93 anos.

Ainda segundo Rainer, os profissionais da saúde que trabalham na unidade, como os enfermeiros, já receberam a primeira dose da imunização. “Apesar de ser um hospital, até agora ninguém além deles foi vacinado lá dentro. Já liguei na Assistência Social (do Estado) e só me dão evasivas”, disse.

O tradutor afirma ainda que mesmo entre os enfermeiros e médicos não há informações sobre este assunto, e que nada foi comentado com os cerca de 70 pacientes. “Em teoria, poderia levar minha tia ao posto de saúde, mas, apesar de lúcida, ela está muito frágil”, lamenta.

Por ser um hospital gerido pelo Estado, O Diário procurou, a princípio, a Secretaria Estadual de Saúde. A informação repassada é de que após as doses serem direcionadas às cidades, cabe às prefeituras destiná-las aos endereços necessários.

Procurada então pela reportagem, a administração municipal de Mogi enviou uma nota de esclarecimento. “A enfermeira Lilian Peres Mendes, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, explica que a vacinação de pacientes internados depende da solicitação formal do hospital com devida liberação médica”. Esse pedido não tinha sido protocolado até o início da tarde desta terça-feira (23), um dia após os questionamentos.

A prefeitura, porém, se comprometeu em solucionar o caso. “Tomando conhecimento desse relato, a chefe (Lilian) entrará em contato com o hospital para verificar a situação e esclarecer eventuais dúvidas”, trazia o texto enviado durante esta manhã.

Mais tarde, por volta das 15 horas, chegou a informação de que o hospital “entrou em contato solicitando vacinas para serem aplicadas em pacientes da unidade, e que a Secretaria Municipal de Saúde atenderá o pedido”.

A quantidade de pessoas, e portanto, o número de doses disponibilizadas, não foi informada, assim como o prazo para que a imunização aconteça. Porém, a nota trouxe orientação para “quem vive no bairro localizado dentro da área do hospital”. Essa população “deve procurar atendimento na unidade de saúde mais próxima”.

 

O hospital

Hoje denominado 'Centro Especializado em Reabilitação Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti', o hospital que fica no quilômetro 3,5 da rodovia Engenheiro Cândido Rego Chaves, em Jundiapeba, foi fundado em 1928, quando o Brasil passava por uma epidemia de hanseníase.

O prédio, erguido a partir do antigo sanatório de Santo Ângelo, é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e foi pensado para receber pacientes internados por causa da hanseníase, também conhecida como lepra.

Com a doença controlada, hoje são realizados lá outros procedimentos, principalmente voltados para pacientes portadores do vírus HIV e também dependentes químicos. O local também abriga o Centro Especializado em Reabilitação (CER).

Em janeiro, o prefeito Caio Cunha e o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) pediram ao vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia (DEM), a abertura de 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para Covid-19 no Dr. Arnaldo. Mas o Estado informou que “isso não deve acontecer”. Relembre o caso.

O telefone para outras informações sobre serviços prestados no hospital é o 4723-9800.