Com a alta de casos de Covid-19 no mundo, que consequências podemos esperar para este fim de ano?

Ao contrário do que acontece na Europa, é precoce falarmos em segunda onda, visto que ainda vivemos a primeira, a qual teve o seu platô entre a segunda quinzena de junho e agosto, seguida de uma desaceleração dos casos. Mas eles não deixaram de existir e agora verificamos uma nova aceleração nos casos respiratórios, que ainda não se reflete de forma tão acentuada nas estatísticas de óbitos porque a maior parte das vítimas tem apresentado, até o momento, quadros mais leves do que tivemos no auge da doença.

Então ainda é preciso usar máscara e álcool gel e manter o isolamento social, certo?

Isso é primordial para a segurança individual e para reduzir os riscos às demais pessoas. A recomendação é que a população utilize a máscara de forma correta, vá as ruas só em caso de necessidade, faça sempre a higienização das mãos e mantenha o distanciamento social sempre que possível. 

O Condemat avalia reerguer hospitais de campanha?

Os leitos dos hospitais de campanha, tanto os de UTI quanto os de Clínica Médica, compõem um mapa de leitos construído de forma regional, com participação ativa dos municípios e do Estado e decisões compartilhadas entre todos esses entes para atender a necessidade da população. Neste momento, ainda não se caracteriza a necessidade de reativação de hospitais de campanha, até porque os custos são muito altos. O que tem sido feito, e de forma constante, é a organização da rede existente – tanto pública quanto privada – para atendimento da demanda. Os dados atuais (base 19/11) apontam uma taxa de ocupação nos leitos de UTI de aproximadamente 50% no Alto Tietê, considerando os hospitais municipais, estaduais e privados.

O que dizer da corrida em busca de uma vacina, e também das brigas políticas que cercam este tema?

Os estudos indicam que a imunização será uma arma eficaz no combate e prevenção ao coronavírus, a exemplo do que acontece com outros tipos de síndromes respiratórias. Por isso, não importa de qual origem, desde que cumpridas todas as etapas que envolvem uma vacina e os protocolos de segurança, quanto antes tivermos um mecanismo de imunização, maiores são as chances de vencermos essa pandemia e retomar a normalidade. Estamos diante de um gravíssimo problema de saúde pública e a solução dele vai além de qualquer disputa política. Mais do que isso, nenhuma vacina será colocada em uso sem todas as garantias de eficácia e afastamento de riscos à saúde. Não podemos esquecer que as vacinas são, há décadas, o principal instrumento de prevenção a outras doenças também muito graves, como a poliomielite, e fatais, como é o caso da febre amarela. 

A Fase Azul do Plano SP de Retomada Econômica foi adiada recentemente. Como enxerga esta medida?

É uma medida de segurança importante diante do aumento nas estatísticas de notificações e casos. Sem a vacina, o isolamento social continua a ser o meio mais eficaz para conter a propagação do vírus. Não podemos ignorar que essa elevação nos casos está relacionada com a maior flexibilização das atividades e com o relaxamento das pessoas quanto às medidas preventivas. A retomada de alguns setores é importante para a economia, mas é fundamental que a população tenha a consciência de que a pandemia persiste e que muitos infectados são assintomáticos, portanto, evitar aglomerações é indispensável.

O engajamento de prefeitos, via Condemat, gerou conexão maior entre as cidades atendidas pelo consórcio. Para além da atuação durante a pandemia, essa parceria gerou outros ganhos à Saúde da região?

A atuação do Condemat tem sido muito importante para a região em vários aspectos. Na saúde, em particular, ela propiciou conquistas importantes como a parceria com a AACD para atendimento de pacientes de municípios de toda a região. Outro exemplo está no acolhimento dos pacientes psiquiátricos que deixaram os hospitais estaduais onde ficavam isolados para viver em residências terapêuticas, com autonomia supervisionada por equipes multidisciplinares. Pelo custo, seria inviável para as prefeituras acolher seus pacientes,  mas com uma composição regional isso é possível. 

Há outros benefícios?

Sim. A articulação regional via Condemat foi essencial para uma maior aproximação com o Estado na discussão de várias prioridades e na busca de soluções, principalmente para a dificuldade no acesso em serviços de saúde de grande importância para a qualidade de vida da população, entre eles, hemodiálise e cirurgias ortopédicas. 

Ainda é cedo para falar da transição do Condemat, mas a senhora continuará? Se sim, qual o planejamento para os próximos meses, em relação a pandemia?

O Condemat está iniciando o processo de transição, mas ainda temos duas cidades que só terão os prefeitos definidos no dia 29 e nas demais o quadro é de grande renovação. De qualquer forma, a Câmara Técnica de Saúde deverá ser mantida com a participação de representantes da área de todos os municípios, os quais precisarão se apoiar uns aos outros para que a região não retroceda tanto nas ações de enfrentamento da pandemia como nas demais demandas da saúde. A direção do Condemat tem monitorado essa aceleração nas notificações e casos e algumas preocupações que envolvem a pandemia, tanto nos aspectos epidemiológicos como financeiros, estão sendo discutidas pela atual gestão e serão colocadas também aos prefeitos eleitos.