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INTERNACIONAL

Trabalhador demitido após uma crise de ansiedade terá indenização de US$ 450 mil

Mesmo advertindo gerente de que não queria a comemoração, evento foi realizado por colegas, desencadeando ataque de pânico em reunião com supervisores

Agência O Globo
18/04/2022 às 10:53.
Atualizado em 18/04/2022 às 10:53

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Trabalhador demitido após uma crise de ansiedade terá indenização de US$ 450 mil

Mesmo advertindo gerente de que não queria a comemoração, evento foi realizado por colegas, desencadeando ataque de pânico em reunião com supervisores

Agência O Globo
18/04/2022 às 10:53.
Atualizado em 18/04/2022 às 10:53

Um morador do estado americano do Kentucky, demitido dias após ter tido um ataque de pânico em seu local de trabalho devido a uma festa de aniversário surpresa, foi indenizado em US$ 450 mil por decisão do Júri no mês passado como reparação pela perda de receita e pelo estresse emocional. 

Kevin Berling trabalhava há cerca de dez meses para o laboratório médico Gravity Diagnostics em Covington, no Kentucky, quando pediu a seu gerente que não fizesse uma festa surpresa para ele por sofrer de transtorno de ansiedade, segundo consta no processo iniciado no Tribunal de Justiça de Kenton. 

O advogado de Berling, Tony Bucher, disse que a festa foi planejada pelos outros empregados enquanto o gerente estava fora e que rapidamente a situação saiu de controle. 

Berling teve um ataque de pânico depois de saber da festa planejada para o horário do almoço, que incluiria receber os parabéns de colegas de trabalho e uma faixa decorativa na sala de descanso. Com isso, ele optou por passar o intervalo para o almoço dentro de seu carro. 

No dia seguinte, Berling teve um ataque de pânico durante uma reunião com dois supervisores que o confrontaram sobre o “comportamento sombrio”, contou o advogado. O trabalhador foi demitido três dias depois por e-mail, com uma mensagem que sugeria que Berling representava uma ameaça à segurança de seus colegas.  

Na ação judicial, a empresa justificou ter demitido Berling porque ele foi “violento” na reunião e havia assustado os supervisores que o mandaram para casa pelo resto do dia, tomaram suas chaves e avisaram ao pessoal de segurança que ele não tinha mais permissão para retornar. 

Um mês após a reunião, em setembro de 2019, Berling processou a empresa por discriminação por deficiência. 
Ao fim de dois dias de julgamento, o júri alcançou um veredito no dia 31 de março, concluindo que Berling havia experimentado uma medida adversa tomada por seu empregador em razão de sua deficiência. Os jurados garantiram a ele US$ 150 mil em indenização pela perda de renda e benefícios, além de US$ 300 mil pelo constrangimento sofrido e pela perda de autoestima. 

O juiz do caso ainda não emitiu sua palavra sobre o veredito, que foi noticiado pelo Link nky, um portal local de notícias. 

John Maley, adovgado do Gravity Diagnostics, disse no sábado que a empresa vai recorrer da decisão,  argumentando ainda que um dos jurados violou determinações judiciais sobre obtenção de informações por fora do julgamento. 

Maly afirmou que o caso não atendeu ao padrão para uma reivindicação relacionada à deficiência porque Berling nunca revelou seu transtorno de ansiedade à empresa e não atingiu o limite legal para se qualificar como portador de deficiência. 

O advogado disse ainda que a empresa tinha o direito de demitir Berling — um técnico de laboratório com contrato de trabalho do tipo regido pela vontade própria, o que significa que ele poderia ser dispensado sem qualquer razão ou aviso prévio — porque ele havia cerrado os punhos, enquanto seu rosto ficou vermelho, ordenando a seus supervisores que ficassem quietos, o que assustou os assustou. 

 “Eles tiveram medo real de sofrer dano físico naquele momento”, disse Julie Brazil, fundadora e diretora executiva do Gravity Diagnostics, no sábado. “Eles continuam abalados com o ocorrido”, acrescentou ela. 

Bucher, advogado de Berling, explica que a reação descrita pela empresa representa o esforço do trabalhador para se acalmar durante um ataque de pânico após seus supervisores criticarem sua reação na festa de aniversário. 

Berling pediu a eles que parassem de falar e usou técnicas de contenção física, incluindo um movimento que Bucher descreveu como levar os punhos cerrados “sobre seu tórax, bem próximo, quase como abraçando a si mesmo”.

O trabalhador afastado de folga no dia do ocorrido e pelo dia seguinte. Já em casa, horas após o horário da reunião, ele enviou uma mensagem de texto a um dos supervisores se desculpando pelo ataque de pânico, conforme registrado no processo judicial. 

Antes daquela semana, disse Bucher, Berling havia recebido “excelentes” avaliações mensais. A companhia disse que ele nunca obteve uma avaliação negativa nem fora chamado atenção, de acordo com os documentos. 

Berling está feliz em seu novo emprego em uma escola, afirma o advogado, e apesar do aumento na frequência de suas crises de pânico após aquela semana de 2019, ela tem caído gradualmente.

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