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FOGO AMIGO

Milionária herdeira da Disney lança documentário com críticas...à Disney

Abigail Disney estreia filme no festival de Sundance em que condena a desigualdade salarial na empresa fundada pela família

Agência O Globo
24/01/2022 às 13:21.
Atualizado em 24/01/2022 às 13:21

"O sonho americano e outros contos de fadas" vai estrear como parte do Festival de Cinema de Sundance que está sendo exibido digitalmente em razão da pandemia. (Imagem: Reprodução)

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FOGO AMIGO

Milionária herdeira da Disney lança documentário com críticas...à Disney

Abigail Disney estreia filme no festival de Sundance em que condena a desigualdade salarial na empresa fundada pela família

Agência O Globo
24/01/2022 às 13:21.
Atualizado em 24/01/2022 às 13:21

"O sonho americano e outros contos de fadas" vai estrear como parte do Festival de Cinema de Sundance que está sendo exibido digitalmente em razão da pandemia. (Imagem: Reprodução)

Há três anos, Abigail E. Disney começou a criticar publicamente a Walt Disney Company por sua desigualdade salarial "obscena", com Robert Iger, que era então o presidente da empresa, de um lado da balança e do outro os trabalhadores dos parques temáticos. A companhia fundada por seu avô e tio-avô repetidamente rebateu as críticas, em um determinado ponto se referindo a elas como "um exagero grosseiro e injusto dos fatos".


Mas Abigail se recusou a retroceder, embora a companhia tenha concordado em elevar os salários dos trabalhadores dos parques em 16%. Na realidade, ela intensificou sua campanha e, pela primeira vez, juntou mais dois de seus três irmãos.


"The American Dream and Other Fairy Tales" (O sonho americano e outros contos de fadas, em tradução livre), um documentário ativista sobre a diferença salarial entre os funcionários corporativos e os não corporativos, vai estrear na segunda como parte do Festival de Cinema de Sundance, que está sendo exibido digitalmente em razão da pandemia. 


Abigail e Kathleen Hughes dirigiram o fime, a irmã de Abigail, Susan Disney Lord, e um irmão, Tim, estão entre os produtores executivos. O filme posiciona a empresa de entretenimento que leva seu nome como “marco zero da crescente desigualdade nos EUA”.


Para traçar esse retrato, Abigail e Kathleen mostram o perfil de quatro guardiães da Disney, que, na época da filmagem (antes da pandemia) ganhavam US$ 15 por hora. Todos eles lutam com os crescentes custos de moradia do Sul da Califórnia. Um deles diz que conhece funcionários da Disneyland que tiveram que escolher entre remédios e comida.


Os cineastas cortam para fotografias de Iger, que foi presidente da Disney entre 2005 e 2020, um período de grandes ganhos para os investidores (incluindo Abigail e outros membros da família). Os espectadores são lembrados de que a Disney concedeu a ele um pacote em 2018 no valor de US$ 65,6 milhões. Os prêmios em ações relacionados à aquisição da 21st Century Fox representam 40%. 


 Abigail e sua irmã são mostradas relembrando o avô, Roy O. Disney, que fundou a companhia em 1923 com seu irmão, Walt. "Não consigo vê-lo levando US$ 66 milhões por um ano de trabalho quando, na mesma empresa, as pessoas não conseguem comprar comida", diz uma indignada Abigail. Sua irmã responde: "Isso nunca teria teria acontecido, nunca teria acontecido". 


A família Disney não está mais diretamente envolvida na administração da Disney desde que o pai delas, Roy E. Disney, renunciou ao conselho em 2003 e liderou uma revolta de acionistas que resultou na ascensão de Iger. Roy E. Disney morreu em 2009.


O New York Times foi autorizado a assistir o filme antes da estreia. A Disney, que não teve acesso antecipado ao filme, respondeu a questionamentos com a seguinte declaração:


"O bem-estar e as aspirações de nossos empregados e elenco sempre serão nossa maior prioridade. Nós fornecemos um pacote de emprego líder e integral que inclui pagamento competitivo e benefícios abrangentes para que nossos membros do elenco possam cuidar de suas famílias e desenvolver suas carreiras".


E continua:


"Isso começa com pagamento justo e salários iniciais na liderança, mas também inclui cobertura médica a preços acessíveis, acesso a ensino superior gratuito, creche subsidiada para empregados elegíveis, assim como caminhos para o desenvolvimento pessoal e profissional".  


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Desenvolvimentos recentes na Disneyland vão na contramão da narrativa do filme. Em dezembro, sindicatos que representam 9.500 zeladores, operadores de passeios e atendentes de estacionamento confirmaram um novo contrato que aumenta a remuneração inicial para US$ 18 por hora até 2023 — de US$ 15,45 no ano passado, um aumento de 16% - e que inclui bônus por antiguidade. 


A Disneyland quase retornou ao volume integral de trabalhadores depois de ter ficado fechada por mais de um ano por causa da pandemia, disse um porta-voz. O resort de Anaheim emprega cerca de 30 mil pessoas. 
Iger também deixou a empresa. Abigail diz aos espectadores que ela decidiu fazer o filme porque estava frustrada e chateada com a curta resposta a um e-mail enviado por ela em 2018 sobre a remuneração salarial dos trabalhadores do parque. Ele se recusou a comentar o assunto. 


Abigail já enfrentou queixas por discriminação e tratamento injusto em uma de suas empresas, a Level Forward, que ajuda a financeiar e produzir projetos de entretenimento com foco em justiça social. ("Há críticas justas lá", disse Abigail à Hollywood Reporter no ano passado).


Em entrevista por Zoom, Abigail e Kathleen, uma produtora que já venceu o Emmy, disseram que o aumento de salário na Disney é encorajador, mas não suficiente e que um salário de US$ 24 por hora seria o necessário. 


"Se tudo está diferente, então por que o novo CEO saiu com US$ 32,5 milhões por um ano que não foi muito rentável?", indagou Abigail. Ela se referia a Bob Chapek. A Disney registrou US$ 2 bilhões em lucros em 2021, comparado a perdas de US$ 2,8 bilhões em 2020. Antes da pandemia, a empresa gerava ganhos anuais de US$ 10 bilhões. 


As cineastas ainda procuram um distribuidor. Elas esperam que o festival gere interesse em Netflix, Amazon Prime Video, Appelo TV+ ou em outro competidor da Disney. Além da crítica à Disney, o filme trata de assuntos complexos, como a evolução do capitalismo, a mudança de políticas econômicas e injustiça racial.


"Quero mudar o sistema como um todo, dos CEOs em geral para Wall Street em particular, isso resultaria no reconhecimento da dignidade e humanidade de cada trabalhador", disse Abigail.


Abigail é uma integrante famosa dos Miliionários Patriotas, um grupo que pressiona por mais impostos para empresas e indivíduos com grandes fortunas como eles mesmos. Como ela tem dito ao longo dos anos, é uma posição que integrantes de sua própria família têm dificuldade de entender. (Isso parece incluir o irmão, Roy P. Disney, que apoiou Iger e não está envolvido com o filme).

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