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ATENTADO

Ex-premier Shinzo Abe é morto a tiros durante comício no Japão

Atirador, que serviu nas Forças Armadas japonesas, usou arma caseira e foi preso no local do crime

Agência O Globo
08/07/2022 às 16:49.
Atualizado em 08/07/2022 às 16:52

O atirador de 41 anos, que segundo a polícia confessou o crime, usou uma arma caseira, e relatos de testemunhas e registros em vídeo indicam que ele disparou dois tiro (Foto: reprodução / redes sociais)

Shinzo Abe, o ex-primeiro-ministro que governou o Japão por mais tempo, morreu nesta sexta-feira vítima de um atentado na cidade de Nara, no Oeste do país. Abe, de 67 anos, foi baleado no pescoço e na clavícula esquerda por volta das 11h30 locais (23h30 de Brasília) quando fazia um discurso de campanha, dois dias antes das eleições para a Câmara Alta do país. O ex-premier foi transportado ao hospital de helicóptero em estado inconsciente e com uma parada cardíaca.

O atirador de 41 anos, que segundo a polícia confessou o crime, usou uma arma caseira, e relatos de testemunhas e registros em vídeo indicam que ele disparou dois tiros.

Crimes do tipo são raros no país, que tem leis rígidas de controle de armas.

Detido imediatamente após efetuar os disparos, o atirador foi identificado como Tetsuya Yamagami, morador de Nara. Hoje desempregado, ele é um ex-integrante das Forças de Autodefesa do Japão, onde serviu na Marinha por três anos, até 2005.

A suposta arma do crime, um revólver artesanal de dois canos amarrados com fita adesiva, foi recuperada. A polícia disse ter encontrado várias armas caseiras e explosivos na residência de Yamagami. As autoridades disseram que também investigam a “possibilidade de uma detonação”.

Segundo a emissora pública NHK, imagens de vídeo capturadas antes do atentado mostram Yamagami examinando os arredores do local, enquanto estava atrás de Abe. O suspeito então tira algo de uma bolsa que carregava e caminha lentamente em direção ao ex-primeiro-ministro, antes de levantar a arma e abrir fogo duas vezes, com cerca de dois segundos e meio de intervalo.

De acordo com o jornal Kyodo News, que tinha um repórter no local, a arma fez um barulho que poderia ser comparado a uma explosão, e uma fumaça branca subiu no ar depois dos disparos. Ainda não se sabe qual munição foi utilizada.

As autoridades também disseram que uma força-tarefa de 90 policiais foi montada para investigar o crime, e o nível de segurança do evento será analisado. O comício acontecia perto de uma estação ferroviária de Nara e, como é habitual no país, não contava com um esquema de segurança especial.

De acordo com a NHK, Yamagami disse à polícia que não tinha problemas políticos com Abe, mas que estava insatisfeito com o ex-primeiro-ministro por ele supostamente integrar "determinada organização".

— O suspeito declarou ter rancor contra uma determinada organização, e confessou ter cometido o crime porque acreditava que Abe estava ligado a ela — disse um policial, que se recusou a dar mais detalhes ou a identificar a organização.

O assassinato é um episódio chocante em uma sociedade que tem algumas das leis de armas mais rígidas entre as maiores economias globais, onde poucos episódios de violência política foram registrados nos últimos 50 anos. Inejiro Asanuma, então líder do Partido Socialista, foi o último político a ser morto, com uma facada, em 1960. Houve uma tentativa de assassinato do ex-primeiro-ministro Morihiro Hosokawa em 1994.

Abe foi primeiro-ministro de 2006 a 2007, e depois entre 2012 e 2020. Ele ficou conhecido por apoiar uma estratégia de crescimento econômico agressiva destinada a combater a deflação, a chamada Abenomics, por sua visão conservadora da História e por adotar uma política externa linha-dura, apostando na militarização do Japão.

Duas estudantes que testemunharam o tiroteio disseram à NHK que ouviram um estrondo quando Abe foi baleado pela primeira vez.

— Ele não desmaiou, apenas ouvimos um estrondo muito alto, mas não parecia que nada tivesse acontecido com ele — disse uma das estudantes.

Ela disse que a fumaça foi “claramente visível após o segundo tiro” e que “o senhor Abe desmaiou no momento em que o segundo tiro foi disparado”. A outra estudante disse que o atirador “não fugiu e ficou ali, deixando sua arma por perto. Ele foi rapidamente cercado por seguranças.”

Médicos trataram Abe por quatro horas e meia, mas sem sucesso. Ele fazia um discurso de campanha para a eleição de um candidato do governista Partido Liberal Democrata (PLD), sigla que está no poder no Japão pela maior parte do tempo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda no local do atentado, bombeiros da equipe de resgate disseram que Abe não apresentava sinais vitais.

— É um ato desprezível e totalmente inaceitável, que ocorreu durante um período eleitoral, que é a base da democracia. Condeno o ato nos termos mais fortes possíveis — declarou o atual primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, do PLD.

Kishida disse que a campanha para as eleições de domingo continuará. Diversos vídeo feitos por pessoas que assistiam ao discurso mostram cenas do local nas redes sociais.

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