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ELEIÇÕES

Candidata é sequestrada com a família no México, onde assassinatos marcam a disputa deste ano

Marilú Martínez disputa a prefeitura de Cutzamala de Pinzón. Consultoria aponta que 89 políticos já foram mortos nesta campanha eleitoral

Agência EstadoPublicado em 03/06/2021 às 07:58Atualizado há 2 meses

Marilú Martínez, candidata à prefeitura de Cutzamala de Pinzón, no Estado mexicano de Guerrero, foi sequestrada por um grupo armado juntamente com sua família, informou ontem a direção de seu partido. "Marilú Martínez e sua família foram privados de sua liberdade por um comando armado. Exigimos às autoridades locais uma reação imediata para localizá-los com vida", declarou o partido Movimento Cidadão, no Twitter.

No domingo, o México realizará as maiores eleições de sua história, nas quais serão eleitos mais de 20 mil representantes, incluindo 15 governadores e todos os 500 deputados federais. Mas, à medida que a votação se aproxima, os ataques contra candidatos aumentam.

Segundo a consultora privada Etellekt, durante o ciclo eleitoral, 89 políticos foram assassinados, dos quais 35 eram candidatos nesta eleição. Entre fevereiro e abril, 46 políticos foram mortos, um número 44% maior em comparação com o mesmo período nas eleições de 2018, segundo a consultoria Integralia.

Mais de 60 candidatos a prefeito já se retiraram da disputa em todo o país. Até agora, cerca de 150 receberam proteção da polícia, após sofrer algum tipo de ameaça, desde que a campanha começou, em abril. De acordo com autoridades mexicanas, a maioria das ameaças vem do crime organizado. Algumas deixam de ser apenas ameaças e acabam nas páginas policiais.

No dia 25 de maio, Alma Barragán, que se candidatou à prefeitura de Moroleón, no Estado de Guanajuato, foi assassinada a tiros durante um ato de campanha. Três dias depois, Cipriano Villanueva, de 65 anos, também foi morto a tiros. Ele era candidato a vereador do município de Acapetahua.

Guillermo Valencia, candidato a prefeito de Morelia, capital do Estado de Michoacán, teve mais sorte. No dia 8, ele preferiu assistir a uma luta de boxe pela TV e não estava na van que levava sua equipe de campanha. Na emboscada, foram 37 tiros. A secretária e um guarda-costas ficaram feridos.

Desde dezembro de 2006, quando o então presidente Felipe Calderón decretou guerra às drogas, o México registra mais de 300 mil assassinatos, segundo dados oficiais. Por trás do aumento da violência está a evolução da dinâmica do crime organizado. Nos últimos anos, os cartéis vêm diversificando suas fontes de receita. Além do tráfico de drogas, eles contrabandeiam imigrantes para os EUA, vendem gasolina no mercado negro, sequestram e extorquem comerciantes e produtores rurais.

Em muitos casos, o controle territorial é fundamental, especialmente quando o negócio é extorsão. O domínio é exercido por meio de ameaças e do pagamento de propinas para prefeitos, chefes de polícia, vereadores e promotores. Quem não coopera, morre.

Quase 200 grupos criminosos operam no México, segundo estimativa do governo. Apenas alguns poucos, os cartéis mais importantes, são capazes de mover drogas para os EUA, um trabalho que demanda organização, disciplina e poder. Gangues menores, que se dedicam a outros tipos de crime, como extorsão, competem pelo controle de cidades ou de bairros, intimidando ou matando políticos. (Com agências internacionais)

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