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ECONOMIA

Após Índia restringir exportações, preço do trigo dispara

Cotações já subiram 60% este ano

Agência O Globo
16/05/2022 às 16:16.
Atualizado em 16/05/2022 às 16:16

(Divulgação - Pixabay)

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Após Índia restringir exportações, preço do trigo dispara

Cotações já subiram 60% este ano

Agência O Globo
16/05/2022 às 16:16.
Atualizado em 16/05/2022 às 16:16

(Divulgação - Pixabay)

O trigo saltou a uma cotação quase recorde nesta segunda-feira após a Índia ter anunciado que vai restringir exportações, expondo como a oferta de estoques da commodity está apertada em meio à guerra com a Ucrânia, que ameaça elevar ainda mais o preço dos alimentos. 

No mercado de futuros de Chicago, a alta chegou a 5,9%, subindo para US$ 12,47 o bushel, o maior valor em dois meses e a apenas US$ 1 da maior alta registrada desde a invasão russa. Os preços do trigo já subiram aproximadamente 60% este ano, elevando o custo de quase todos os alimentos, de pão a bolos, passando pelo macarrão instantâneo.

Em Paris, o trigo moído subiu 5,1%, para € 431,75 (US$ 450) por tonelada, um recorde para os futuros mais ativos.

O surpreendente é que Índia não é um dos principais exportadores de trigo globalmente. O fato de que o movimento do país poderia ter um impacto tão grande apenas ressalta a perspectiva sombria para o mercado global de tribo. A guerra prejudicou as exportações da Ucrânia, e agora secas, inundações e ondas de calor ameaçam as colheitas na maioria dos grandes produtores. 

— Se essa suspensão (das exportações pela Índia) ocorresse em um ano normal, o impacto seria mínimo, mas a perda dos volumes de produção da Ucrânia escancaram o problema — diz Andrew Whitelaw, analista do setor de grãos da Thomas Elder Markets, com sede em Melbourne.

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A decisão da Índia de interromper as exportações de trigo veio após uma onda de calor recorde ressecou a safra em um período decisivo, impulsionando estimativas de queda na colheita. O risco para a produção criou um dilema para o país, que tentou preencher a lacuna do mercado gerada pela queda nas exportações ucranianas.

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A Índia priorizou o mercado doméstico, ainda que isso possa manchar a imagem internacional do país como um fornecedor de confiança. 

A decisão do país só faz crescer a onda de protecionismo na produção de alimentos desde o início da guerra na Ucrânia. Globalmente, governos vêm buscando garantir suprimento local de alimentos enquanto os preços disparam no setor agrícola. A Indonésia suspendeu exportação de óleo de palma, enquanto Sérvia e Cazaquistão impuseram taxas sobre embarques de grãos. 

A bolsa de futuros de Paris teve alta recorde nesta segunda-feira, na sequência ao anúncio feito pela Índia.

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As empresas que negociam commodities agrícolas estão decepcionadas com essa política. Um dia antes do anúncio, o governo indiano havia dito que estava enviando missões comerciais a países para explorar a possibilidade de ampliar as exportações de trigo. Isso não vai mais ocorrer. 

— Muitos exportadores globalmente têm compromissos de compra de trigo indiano, que deveriam ser honrados — disse Vijay Iyengar, presidente do Conselho de Administração e diretor da Agrocorp International, com sede em Cingapura, que comercializa certa de 12 milhões de toneladas de grãos anualmente.

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