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ASSASSINATO NOS EUA

Americana definiu ex-marido brasileiro como abusivo e manipulador, em carta, escrita meses antes da

Marcus Spavanelo, de 34 anos, foi preso no último sábado (2), mesmo dia em que o corpo de Cassie Carli, de 37, foi encontrado numa cova rasa no Alabama. Ele é principal suspeito pelo crime

Agência O Globo
06/04/2022 às 18:37.
Atualizado em 06/04/2022 às 18:37

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ASSASSINATO NOS EUA

Americana definiu ex-marido brasileiro como abusivo e manipulador, em carta, escrita meses antes da

Marcus Spavanelo, de 34 anos, foi preso no último sábado (2), mesmo dia em que o corpo de Cassie Carli, de 37, foi encontrado numa cova rasa no Alabama. Ele é principal suspeito pelo crime

Agência O Globo
06/04/2022 às 18:37.
Atualizado em 06/04/2022 às 18:37

Pouco menos de oito meses antes de ser assassinada, a americana Cassie Catherine Carli, de 37 anos, escreveu uma carta onde descrevia o ex-companheiro, o brasileiro Marcus Spanevelo, de 34 anos, como um homem abusivo, manipulador, passivo-agressivo e que foi responsável, mesmo durante sua gravidez, por um relacionamento tóxico dentro de casa. O relato foi escrito por ela e publicado pela irmã caçula Raeann Carli numa plataforma de arrecadação de fundos, onde elas pediam ajuda financeira para que, àquela altura, Cassie conseguisse manter um bom advogado na disputa com Spanevelo pela guarda exclusiva e por pensões alimentícias — cerca de US$ 10 mil — que ele estaria devendo à filha, a pequena Saylor, de 4 anos.

Marcus foi preso no último sábado (2), em Lebanon, no estado do Tennessee, mesmo dia em que o corpo da mãe de sua filha foi encontrado, depois de quase uma semana de buscas, numa cova rasa em St. Clair County, no Alabama — a mais de 400 km de distância. Ele é o principal suspeito pelo crime e, por enquanto, foi indiciado por adulteração de provas, fornecimento de informações falsas sobre uma investigação de pessoas desaparecidas e destruição de provas. Dias antes, em 18 de março, havia vencido o prazo para que ele, por decisão da Justiça, pagasse cerca de US$ 6 mil dólares à ex-mulher por honorários e custas processuais da ação pela guarda da menina.
Na carta, Cassie diz que o brasileiro fazia falsas denúncias contra ela, tanto à polícia, quanto ao Serviço de Proteção à Criança — espécie de Conselho Tutelar —, e pede ajuda para conseguir "proteger a filha". Confira na íntegra:

"Olá, meus queridos parentes e amigos. Estou escrevendo para vocês hoje com o meu coração pesado. Eu nunca imaginei que eu estaria numa posição dessa na minha vida, onde seria necessário escrever uma carta para vocês. De qualquer forma, aqui estou.

Então, por onde começo? Deixe-me partir pelo começo. Em julho de 2017, enquanto me curava dos eventos mais traumáticos da minha vida, eu conheci o homem que se tornou o pai da minha preciosa filha. Como vários relacionamentos que eu conheço, fui enganada por algo que ele escondia por trás de seu charme. Este homem era um mestre no jogo da manipulação e, mesmo que eu pudesse ver todos os sinais que me alertavam que ele era um abusador, eu acreditava nas desculpas dele e ficava presa em sua rede de mentiras narcisistas.

Em alguns meses de relacionamento, eu descobri que eu estava grávida. Permita-me ser clara: eu nunca me arrependi da decisão de me tornar mãe. Saylor é verdadeiramente a luz e o amor da minha vida. Durante minha gravidez, a manipulação e o controle abusivos deste homem cresceram. Mas tendo lutado contra a infertilidade no meu primeiro casamento, eu desesperadamente queria uma família. Então, eu legitimei o comportamento errático dele o máximo que eu consegui. Graças a Deus e aos meus grandes amigos, eu escolhi terminar o relacionamento com ele. Eu sabia que criar a minha filha sozinha seria melhor que a expor a um relacionamento tóxico em casa.
Quando terminei o relacionamento com ele, e ele já não tinha mais controle sobre a minha mente, sua rede de mentiras e enganações se propagaram como se fossem um incêndio. Ele registrou dezenas de boletins de ocorrência falsos na polícia. Ele chamou o CPS (Serviço de Proteção à Criança, sigla em inglês) tantas vezes, que eu conhecia praticamente a equipe inteira pelo nome. O abuso passivo agressivo era tão ruim que eu tive que expulsá-lo do meu apartamento em mais de uma ocasião.

 Em 2019, eu entrei com pedido de guarda exclusiva da minha filha. A corte permitiu que ele tivesse direito a visitas bimestrais e o condenou a pagar pensão alimentícia. Até agora (aquela ocasião, em agosto de 2019, segundo ela) ele me deve US$ 10 mil. Há algumas semanas atrás, por negligência no pagamento da pensão, o Estado suspendeu a carteira de motorista dele. Alguns dias após ter recebido essa notícia, ele ligou para o CPS mais uma vez para reportar outra queixa falsa. Mesmo assim, ele foi autorizado a pegar minha filha naquele dia para a sua visita agendada no fim de semana.

Por quase duas semanas, eu não tive contato com a minha filha ou tive conhecimento sobre seu paradeiro. Eu procurei todos que conhecia. Procurei ajuda da polícia local e de todas as agências governamentais que eu conhecia. Ninguém podia ou poderia me ajudar. Minha única esperança conseguir um advogado poderoso que não cairia nas mentiras e manipulações dele. 

Mas grandes advogados são caros. Minha família juntou tudo o que temos para tentar levantar US$ 10 mil necessários para lutar contra este homem na corte. Até agora, estou com cerca de US$ 5 mil. Preciso da ajuda de vocês. Minha filha precisa da ajuda de vocês.
Em primeiro lugar, rezem, por favor. Por favor, rezem e considerem fazer a doação para mim. Cada dólar arrecadado será usado para proteger a minha filha. Obrigado por suas preces e pela ajuda. Eu amo e valorizo cada um de vocês".

Pouco se sabe ainda sobre Marcus Spanevelo, e sobre quando e em que circunstâncias ele foi morar nos EUA. O homem, de 34 anos — que completará 35 em julho deste ano —, tem raízes em Niterói (RJ) e, também, em Santa Catarina. Alguns vídeos publicados por ele na rede mostram que, seja por hobby ou trabalho, sabia mexer com eletrônica, sobretudo em gadgets e aparelhos automotivos.
Nesta segunda-feira (4), Spanevelo esteve frente ao juiz em Tennessee — onde foi preso—, que questionou se ele estaria disposto a abrir mão de seu direito aos procedimentos burocráticos de extradição para acelerar seu retorno à Flórida, onde responderá pelo suposto envolvimento na morte da ex-companheira. Em vídeo disponibilizado pela Justiça e divulgado pela imprensa americana, ele aparece com uniforme listrado de presidiário rejeitando o pedido.

— Não agora. Há algumas coisas que eu preciso resolver antes de me dispor a ir por este caminho — disse ao juiz. — Só estou tentando me certificar de que minha filha será cuidada pelas pessoas que eu... estou deixando com ela.

Também na segunda-feira, a polícia realizou autópsia no corpo de Cassie, que é tida pela investigação como peça principal para a resolução caso. A mulher foi encontrada numa cova rasa numa fazenda em Springville e, com o corpo em estágio avançado de decomposição, só foi reconhecida graças a uma tatuagem.

Dia 27 de março: Cassie é vista pela última vez, quando deixa a casa do pai para ir se encontrar com Marcus no estacionamento de um restaurante em Navarre Beach, na Flórida, onde o brasileiro teria o direito de ver a filha.

Dia 29 de março: Com a mulher já desaparecida, policiais fazem diligências e encontram seu carro, deixado no estacionamento do restaurante.

Dia 30 de março: A polícia encontra Spanevelo com a pequena Saylor em Birmingham, no Alabama.

Dia 2 de abril: O corpo de Cassie é encontrado numa fazenda em Saint Calir County; no mesmo dia, a quase 400 km de distância, Marcus é preso no Tennessee pela polícia local.

Dia 4 de abril: polícia realiza autópsia no corpo de Cassie, que pode ser chave para solucionar o crime.

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