INVESTIGAÇÃO

MP aponta o repasse de R$ 1,2 milhão a vereadores de Mogi acusados de corrupção

DETIDOS Vereadores da cidade investigados permaneceram cinco dias presos na Cadeia Pública de Mogi e foram transferidos para Tremembé. (Foto: arquivo - Eisner Soares)
DETIDOS Vereadores da cidade investigados permaneceram cinco dias presos na Cadeia Pública de Mogi e foram transferidos para Tremembé. (Foto: arquivo – Eisner Soares)

As investigações da Promotoria do Patrimônio Público de Mogi das Cruzes apontam repasses de mais de R$ 1,2 milhão aos vereadores acusados de corrupção, realizados por empresas suspeitas de lavagem de dinheiro. Os recursos seriam destinados aos parlamentares para comprar apoio na aprovação de leis. Há suspeitas de favorecimentos em contratos com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) e a Secretaria Municipal de Saúde.

Entre os seis vereadores envolvidos no caso, quatro deles seguem presos no Centro de Penitenciário de Tremembé, no Vale do Paraíba: Mauro Araújo (MDB), Carlos Evaristo da Silva (PSB), Jean Lopes (PL) e Diego de Amorim Martins (MDB). Francisco Bezerra (PSB) está cumprindo prisão domiciliar. Já o vereador Antonio Lino (PSD), outro averiguado no processo, encontra-se foragido.

A operação culminou ainda na prisão dos assessores – Willian Casanova e André Alvim de Matos Silva, além dos empresários – Carlos Claudino de Araújo, Joel Leonel Zeferino -, atualmente no Centro de Detenção Provisória (CDP). A empresária Carla Salvino Bento está em prisão domiciliar por ter filhos pequenos. Pablo Bezerra, também investigado, ainda não se apresentou.

O Ministério Público de São Paulo informou ontem que ainda não tem previsão sobre o período que os quatro vereadores levados para Tremembé vão permanecer presos. Eles foram transferidos para lá na última quarta-feira, após cinco dias na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes.

A Promotoria esclarece que continua em processo de análise de toda a documentação envolvendo a Operação Legis Easy (Legislação Fácil) para decidir sobre o oferecimento de eventual denúncia contra os políticos, empresários e assessores.

O prazo estabelecido pelo Tribunal de Justiça (TJ) para isso é 10 dias, com vencimento na próxima segunda-feira.

Mas isso não significa que os parlamentares detidos preventivamente serão libertados nessa data, a não ser que a Promotoria desista de apresentar a denúncia, o que não deve acontecer, já que foi o próprio MP que fez toda a investigação e levantamento das informações apresentadas no material analisado pela Justiça para autorizar as buscas, apreensões e prisões. “Até eventual mudança pelo juiz ou Tribunal, eles continuam presos”, esclarece o órgão.

Enquanto isso, as defesas dos parlamentares investigados tentam agilizar os pedidos de liminar para libertá-los. Os habeas corpus impetrados e julga

dos até o momento não tiveram êxito no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, motivo pelo qual os advogados estão recorrendo às instâncias superiores, em Brasília (DF).

Foram negados também os primeiros pedidos de liminares apresentados pelo advogado Rodrigo Santana Pinto Soares, que defende o vereador Antonio Lino, e pelo advogado do empresário Zeferino, Dirceu do Valle. As defesas já entraram com recursos em Brasília.

Os representantes dos demais vereadores e empresários estão na expectativa dos julgamentos dos habeas corpus apresentados para decidir sobre os próximos passos.


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