Mogi prepara protocolos para retomadas das aulas em setembro

Entre os pontos da volta às aulas a serem definidos estão a distribuição do pátio, o intervalo, a merenda, entre outras questões. (Foto: Arquivo)
Entre os pontos da volta às aulas a serem definidos estão a distribuição do pátio, o intervalo, a merenda, entre outras questões. (Foto: Arquivo)

De acordo com os planos do Governo do Estado, poderão retomar aulas presenciais no dia 8 de setembro as cidades que estiverem mais de 28 dias na fase amarela do Plano São Paulo de flexibilização. Até a data, Mogi das Cruzes deverá estar quase dois meses nesta etapa do processo. Por isso, a Secretaria Municipal de Educação já se prepara para o momento e vem desenvolvendo um protocolo a ser seguido durante este retorno.

As normas, que vão seguir as recomendações do Estado e também da Organização Mundial de Saúde (OMS), vêm sendo desenvolvidas junto aos diretores e serão aplicadas em todas as esferas da organização escolar. Isso porque o protocolo será desenvolvido para definir como ficará a distribuição no pátio, o intervalo, a merenda e outras questões. Além disso, a empresa que presta o serviço de limpeza já está em conversa com a Vigilância Sanitária para que esses pontos também possam ser definidos.

“Nós estamos elaborando esse documento e ficando muito atentos em como vai ficar a região nos próximos dias em relação às fases. A gente só volta se elas se concretizarem. Nossa maior preocupação ainda é com a segurança e a saúde. Não vamos fazer nada que ponha em risco a vida dos funcionários, alunos e também dos familiares. A gente precisa ter o plano, mas também precisamos aguardar e ver se é o momento cabível de aplicação ou se é momento de aguardar”, diz a secretária municipal de Educação, Juliana Guedes.

Em Mogi, a rede municipal já efetuou o retorno gradativo dos funcionários, promovendo a abertura parcial das escolas. As unidades estão funcionando internamente e realizando o atendimento ao público, mas somente mediante agendamentos. Enquanto isso, os coordenadores e professores seguem dedicando à parte pedagógica, garantindo as aulas online.

“Neste período, continuam afastados os funcionários que fazem parte do grupo de risco e, a princípio, isso não seria um problema porque o protocolo fala em uma retomada parcial. A gente está estudando para resolver essa situação e lembrando que os próprios alunos também podem fazer parte do grupo de risco, porque muitas crianças têm doenças respiratórias, por exemplo, e vai ser preciso ver se está na hora de voltar ou se vão esperar pela fase verde”, considera Juliana.

Parte integrante desse processo de retomada será também uma avaliação da eficácia das atividades remotas. Um esquema de recuperação de conteúdo, provavelmente, será inevitável. Mas o funcionamento disso só poderá ser definido a partir do que for percebido após esse retorno. Isso porque o reforço poderá ser parcial ou abrangente e tudo depende de como os próprios alunos estudaram em casa.

Retomada

O Governo do Estado estima que o sistema educacional paulista envolva 12,3 milhões de alunos da educação infantil, básica, superior e profissionalizante, além de 1 milhão de professores e demais profissionais. A partir de 8 de setembro, cada escola poderá trabalhar com até 35% da capacidade total em sala de aula.

As unidades deverão definir o revezamento de alunos e cada estudante precisará ter ao menos um dia de aula presencial por semana. A definição do revezamento levará em conta a capacidade física de cada escola. As instituições de ensino ou rede têm autonomia para escolher as melhores estratégias junto com a comunidade escolar ou acadêmica. As prefeituras são autônomas para regulamentar o plano de retomada a partir do dia 2 de julho.

Estado deve ouvir pais e professores

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de Mogi das Cruzes realizou nesta última semana uma reunião entre os representantes de escola, que teve como tema principal o retorno das aulas presenciais. Conselheira e coordenadora da subsede mogiana, Inês Paz relata que os participantes chegaram à conclusão de que uma volta em setembro ainda pode ser precipitada, aumentando os riscos de contaminação. Ela ressalta ainda que os pais e professores devem ser ouvidos pelo Governo do Estado.

“Nós já estamos no final de julho e as aulas foram suspensas ao final de março. Ou seja, já se foram quatro meses nesta situação e falta muito pouco para terminar o ano letivo. É importante que haja uma construção pedagógica com todo o envolvimento para definir a forma como será possível recuperar este ano. É possível fazer uma avaliação e combinar 2020 com 2021 para que no próximo ano a gente concretize esse enfrentamento”, afirma Inês.

Ela acredita ainda que a retomada definida pelo Governo está mais focada na rede particular de ensino, já que muitas escolas têm perdido seus alunos durante esse período. Entretanto, reforçar que a rede pública não tem infraestrutura para adotar as medidas necessárias e que, desta forma, a transmissão da Covid-19 pode crescer demasiadamente. Por isso, mesmo que sem ir às ruas, a Apeoesp pretende se mobilizar para que este retorno não aconteça no dia 8 de setembro.

“Eles alegam que a principal preocupação é com a aprendizagem, mas é hora de se preocupar com a vida, porque o restante pode ser recuperado depois. Se há, de fato, uma preocupação com o ensino, é preciso fazer investimentos em diversas áreas, como na contratação de professores, para que depois os alunos voltem a estudar de maneira eficaz. Nós queremos que toda a sociedade esteja envolvida nisso e vamos marcar um novo encontro virtual para debater o tema no início de agosto”, finaliza.


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