Mogi não merece

Mogi das Cruzes se vê enredada em uma situação verdadeiramente constrangedora, com a divulgação de denúncia investigada pelo Ministério Público de um esquema criminoso no Poder Legislativo.

Em respeito ao código de confiança entre a população e casa de leis que a representa, não há de restar dúvida alguma sobre a integridade, ética e moral de quem quer que ocupe as 23 cadeiras desta casa.

Dissemos isso, tendo como certo, claro, que as investigações do Ministério Público sobre crimes ligados à organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro ainda estão em curso. Há de se apurar todos os fatos, ouvir todos os lados.

Até que se prove o contrário, “toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com lei”. É direito.

Dito isso, defendemos que as investigações sejam transparentes, conclusivas e céleres. A dúvida, nesse terreno, desestabiliza a relação entre o cidadão e o poder público municipal. Ainda mais em meio à disputa eleitoral, calendário único que define a composição futura da Câmara, infelizmente, hoje, no centro das investigações.

Quanto mais rapidamente se esclarecer todos esses fatos, melhor para a cidade. Se houver culpados, que sejam punidos.

Haverá tempo e oportunidade para que os seis vereadores, cinco deles, presos preventivamente, esclareçam porque tiveram os nomes arrolados em algo inadmissível, o apoio e a aprovação de leis “encomendadas” para favorecer determinados empresários, entre outras ilegalidades no exercício da atividade pública. Assim como os empresários e funcionários públicos também apontados pela operação Legis Easy, ou “legislação facilitada”.

A denúncia, em si, é algo grave. Versa sobre a falta de ética e do decoro parlamentar.  E também possui desdobramentos que igualmente precisam ser esclarecidos porque arrolam setores da Prefeitura, o Semae e a Secretaria Municipal de Saúde, bem como outros integrantes da Câmara.

Sobretudo em respeito à cidade que chegou aos 460 anos pelos caminhos da lei e dos pactos políticos e sociais que, se não são infalíveis e justos, como sabemos, sempre buscaram sobrepor a ordem, o limite e responsabilidade pelo bem comum à malversação do dinheiro público, tráfico de influências e outros golpes à instituição democrática.


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