NOVO CORONAVÍRUS

Médico mogiano Ricardo Harada falece após contrair Covid-19

ÉTICA Pacientes fiéis lamentaram a morte do médico Ricardo Baltazar Harada. (Foto: divulgação)

De família da Vila Industrial, o médico Ricardo Baltazar Harada, de 51 anos, será lembrado por pacientes e amigos pela atenção e dedicação no exercício profissional como cardiologista e intensivista. Ele faleceu após permanecer alguns dias internado no Hospital Ipiranga, vitima da Covid-19. É o terceiro médico mogiano a morrer após ter contraído o novo coronavírus.

“Foi um médico exemplar, companheiro, de índole excepcional. Todos nós estamos sentindo muito essa perda”, disse o médico ginecologista e obstetra Alex Sander José Miguel, presidente da Associação Paulista de Medicina de Mogi das Cruzes.

Harada trabalhou no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, e em outros hospitais da cidade.

Por onde passou, deixou amigos. Um deles, o médico urologista Renato Chavasco se emocionou ao falar do veterano estudante da Universidade de Mogi das Cruzes que, ao contrário de outros figurões, se dispunha a acolher os mais jovens.

“Quando para muitos, nós, os mais novos, éramos um ‘Zé Mané’ chegando em uma UTI, com ele, não. Além disso, ele cuidou do meu pai, Heraldo, durante anos, cuida da mãe, que hoje está muito abatida. É o meu cardiologista e de meus irmãos. É médico que eu indicava pacientes e, de alguns, ele não cobrava pela consulta. Um tipo de pessoa diferenciada”, comentou.

Chavasco enfrentou a Covid-19 há mais de um mês. Se lembra do enfermeiro Cicero Romão de Souza, da Santa Casa, que faleceu pelo mesmo motivo, e sinaliza: “É um momento muito difícil para quem foi formado na década de 1990 e conviveu com pessoas que estão partindo agora. E o mais triste, na minha opinião, é ver muitas pessoas fazendo festa, sem tomar cuidado com uma doença, ainda sem cura”.

Paciente há 20 anos do “doutor Ricardo” que viu criança, aliás, Isabel Pontes Flores, reside na Vila Industrial, em frente ao consultório do cardiologista que “fará muita falta”. “Ele cuidava, na verdade, de qualquer coisa. Era médico de tudo, não do coração. Eu chorei muito hoje”, disse.

A APM de Mogi das Cruzes lamenta a morte de Ricardo e dos dois médicos mogianos, Edson Takeda e Fernando Miyake, e outros profissionais da área da saúde que faleceram pelo mesmo motivo. “A exposição continua e nos torna vulneráveis por isso temos investido em ações informativas porque apesar de, ao que parece, termos atingido o platô de casos, até a vacina, ainda haverá insegurança”, arrematou Alex Sander.

Ricardo era irmão gêmeo do dentista Roberto Harada, tão parecidos que participaram de programas de televisão, como o Cidade contra Cidade, quando crianças. Deixa outra irmã, Simone. Além da esposa, Kátia e da filha, Fernanda.


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